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Artigos-->Lembrar é preciso - 8 -- 23/04/2001 - 10:13 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Quando ocorreu o Fórum Social Mundial (FSM), em Porto Alegre, no final de janeiro deste ano, na mesma data em que ocorria o Fórum de Davos, na Suíça, eu observei que estava germinando a V Internacional Comunista. Tanto é que incluí o novo verbete em "Arquivo da Intolerância", disponível em Usina de Letras, como segue:



I Internacional - em 1864 foi fundada em Londres a Associação Internacional de Trabalhadores (AIT), posteriormente denominada “I Internacional”; era integrada por marxistas e anarquistas do movimento operário europeu que se opunha ao capitalismo; foi desfeita em 1876.



II Internacional - surgiu em 1889; após discussões internas, ressurgiu em 1951 como a ‘Internacional Socialista”.



III Internacional - o mesmo que Komintern (ou Comintern) ou Internacional Comunista (IC); foi criada por Lênin em 1919, com base na bem-sucedida Revolução Russa de 1917; no II Congresso da III Internacional, realizado em 1920, a IC aprovou seu estatuto e estabeleceu as 21 condições exigidas para a difusão de partidos comunistas (PC) no mundo inteiro; as condições incluiam o “agitprop” nos exércitos e os PC eram obrigados a auxiliar as Repúblicas Soviéticas frente à guerra civil na Rússia; o Partido Comunista da União Soviética (PCUS) era, na realidade, o partido único de todos os partidos comunistas.



IV Internacional - o mesmo que “Internacional Trotskista”; foi fundada em 1938, em Paris, devido a divergências entre Stálin e Trotski; Trotski havia sido demitido por Stálin do cargo de dirigente do Exército Vermelho, expulso do PCUS, preso e deportado para a Sibéria em 1927; em 1929 Trotski foi banido da Rússia, indo residir mais tarde no México, onde foi assassinado em 25 de agosto de 1940 a golpes de picareta.



V Internacional - o Forum Social Mundial (FSM), realizado em Porto Alegre em janeiro de 2001, pode ser considerado o embrião de uma possível V internacional.



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Abaixo, transcrevo um artigo do jornalista Renato Vasconcelos, que levanta a mesma questão: a tentativa da implantação da V Internacional Comunista.



Sempre e sempre e sempre, lembrar é preciso.



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"Fórum Social Mundial: uma nova Internacional Socialista





Renato Vasconcelos





Após quatro Internacionais de trabalhadores de cunho socialista, parece estar surgindo em Porto Alegre uma quinta, com uma carga revolucionária e igualitária mais radical do que a das Internacionais anteriores "O Terceiro milênio começou em Porto Alegre".



É o que se ouvia durante o I Fórum Social Mundial, que se reuniu na capital gaúcha, entre os dias 25 e 30 de janeiro, e que pretendeu ser uma antítese do Fórum Econômico Mundial, reunido simultaneamente na cidade de Davos, nos Alpes suíços. Na realidade, não existe nenhuma antítese entre os dois fóruns; ambos caminham na mesma direção. São as duas pernas de uma mesma revolução, em marcha rumo à criação de uma ordem socialista mundial.



Estiveram representados no Fórum cerca de 1.500 organizações não governamentais (ONGs), grandes e pequenas, das quais 500 do exterior. Os participantes cerca de 3.000, tiveram a oportunidade de difundir farta literatura aos milhares de visitantes nacionais e estrangeiros. Participaram das oficinas perto de 15.000 pessoas.



E não faltaram figuras representativas, que abrangiam um vasto espectro do horizonte esquerdista: desde um terrorista colombiano, que se apresentou como "Comandante Cifuentes", passando pelo velho ex-Presidente da Argélia Ben Bella, e até representantes do movimento PROUT (Teoria da Utilização Progressiva) da Índia, que promove uma fusão entre o socialismo e a tantra yoga, e que goza da simpatia do ex-frei Boff; desde Ricardo Alarcón, o terceiro homem do regime castrista, passando por Lula e Frei Betto até José Bové, o agitador das Ligas Camponesas da França. Também presentes a viúva de Mitterrand e a prefeita petista de São Paulo, Marta Suplicy.



Ignacio Ramonet explica em "Le Monde Diplomatique" o porquê da escolha de Porto Alegre: "A cidade desde 1989, e o Estado a partir do ano passado, colocaram em funcionamento formas de democracia participativa que são atentamente estudadas em numerosos países. São tais iniciativas que modestamente mostram que um outro mundo é verdadeiramente possível". (Caderno de Debates do "Le Monde Diplomatique", nº 1)



Enganar-se-ia, porém, quem pensasse que o Fórum de Porto Alegre, um cadinho de intelectuais de esquerda, tenha se restringido meramente às regiões da pura especulação científica. Não. Tratou-se de uma "semana de estudos" que visou congregar seus participantes num determinado espírito - "o espirito de Porto Alegre" - e encontrar novas fórmulas que levem à vitória a revolução do igualitarismo em nível mundial ou "planetário", como diziam.



Na abertura: Mensagem de D. Casaldáliga e show



O Fórum foi aberto na tarde do dia 25, no Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com uma mensagem enviada expressamente por D. Pedro Casaldáliga, Bispo de São Félix do Araguaia. Em seguida houve discursos, música, teatro, vaias e um show ao som de batuques e danças indígenas, com as autoridades sentadas no chão, em frente ao palco, entre elas o governador petista Olívio Dutra, que pronunciou um discurso de 20 minutos.



A descontração nos trajes, favorecida pelo calor intenso e úmido, era total. A ponto de que se chegou a falar que bermudas e sandálias havaianas poderiam ser consideradas como o uniforme do evento. É preciso dizer também, de passagem, que o Fórum não foi um encontro de miseráveis e famintos, que estariam a se insurgir contra as "desigualdades sociais", exigindo "justiça" ou, como preferem se exprimir, "dignidade". Não. Boa parte dos participantes do Fórum compunha-se de pessoas oriundas da burguesia média e alta. O que se podia constatar facilmente. Bastava observar o estacionamento da PUC e o nível dos carros ali estacionados.



Os temas em discussão no Fórum estavam divididos em quatro grandes blocos (ou eixos), expostos simultaneamente e presididos por convidados de renome. O primeiro bloco, tratava da produção de riquezas; o segundo, do acesso a elas e de sua repartição; o terceiro, dos "espaços" na sociedade civil; e o quarto, do poder político e da ética na nova sociedade do futuro.



As exposições em cada eixo começavam às 8,30 hs e se estendiam até depois do meio-dia. De 14 às 18 hs realizavam-se as oficinas, nas quais cerca de 80 expositores desenvolveram temas como "Orçamento participativo", "Prostituição e violência", "Alternativa política à globalização liberal", "Estabelecimento de uma democracia mundial", para mencionar apenas alguns dos 400 temas expostos.



A "surpresa" do MST: as costumeiras invasão e depredação



Já na abertura do Fórum começaram a circular rumores de que haveria uma "surpresa" durante o encontro. E de fato ela se deu, graças ao espírito anárquico dos mentores do Movimento dos Sem Terra (MST). No final da tarde de quinta-feira, dia 25, aproveitando a saída dos funcionários, uma tropa de cerca de mil invasores do MST pulou as cercas da fazenda da empresa Monsanto na localidade de Não-Me-Toques, ao norte do Estado, e acampou dentro de seu recinto. Picharam muros e hastearam bandeiras do MST. No dia seguinte, às 10 hs da manhã chegou Stédile, acompanhado de grande número de "convidados". E assim, montada a encenação, foi destruído um canteiro experimental de soja pelos neo-vândalos do MST.



O agitador Bové - líder do MST da França - esteve presente à invasão. Uma oportunidade de ouro para auto-projetar-se. E fez questão de posar triunfante, com um ramo de vegetal arrancado do solo, para as câmaras de dezenas de jornalistas brasileiros e estrangeiros (como ficaram sabendo estes da "surpresa"?) que haviam acorrido pressurosos para documentar o momento "histórico"...



Com tal artifício propagandístico às custas do direito de propriedade, o MST guindou-se desde o início do Fórum para o palco da atenção geral e esquentou suas bases, apresentando-se como um movimento radical, brilhante, com grande capacidade de ação e de empolgar.



O MST organizou ainda uma visita de Danielle Mitterrand ao assentamento de Herval e uma manifestação no de Nova Santa Rita contra os transgênicos. Aproveitando o embalo, promoveu mais duas ocupações de terras no Rio Grande do Sul.



Dois amigos inseparáveis: o PT e a esquerda católica



Havia grande contingente de membros do PT portando bandeiras do partido, usando bonés e difundindo literatura. Ao apresentar uma proposta de "globalização alternativa" no seminário Desenvolvimento e subdesenvolvimento: Deconstrução e construção do Estado, o chamado "presidente de honra" do Partido dos Trabalhadores foi freneticamente aplaudido por seus adeptos, que bradavam a plenos pulmões: "Lula para presidente". Nos arraiais petistas a campanha presidencial de 2002 já começou...



Das fileiras do esquerdismo católico, além da voz de D. Pedro Casaldáliga, estava presente Frei Betto, o amigo infiel de Marighela, que expôs suas idéias na oficina "Como fortalecer a conformidade de ação das sociedades e a construção do espaço público". Alertou para o fato de que a esquerda precisaria aprender a falar a linguagem do povo e a respeitar a religiosidade popular. No Correio da Cidadania, Frei Betto dá seu testemunho de fé na vitória da revolução: "Já não espero participar da colheita, mas quero morrer desta semente capaz de virar o Brasil pelo avesso".



A mística e o coração nos "testemunhos" de Lula e Stédile



O Fórum atingiu seu clímax com os "testemunhos" de Lula, no dia 29, e de João Pedro Stédile, marxista e um dos líderes máximos do MST, no dia seguinte. Em palestra no salão principal do Centro de Eventos da PUC, Lula explicou o espírito que anima o Fórum, o "espírito de Porto Alegre": "Por que estamos aqui? Mesmo não nos conhecendo, temos algo em comum que nos move, algo que moveu a Revolução Francesa, a Revolução Mexicana de 1911, a Revolução Cubana e a Revolução Nicaragüense quando ninguém mais acreditava em revoluções na América Latina. O que nos move é que somos homens e mulheres movidos (sic) sobretudo por uma coisa chamada coração".



Por sua vez, Stédile traçou um breve histórico do MST, de suas lutas e de suas metas. E mencionou igualmente o fator "coração" enquanto parte da "mística" que os empolga:



"Aprendemos que as pessoas se movem também pelo coração. Fomos construindo um método de trabalho que chamamos mística, e que se traduz em simbologia, em hinos, em bandeiras, como forma de nos dar unidade. A nossa unidade não se deu pelas teses. Ela se deu pelo coração. Nós nos arrepiávamos quando víamos as bandeiras vermelhas tremularem numa invasão de terras. A simbologia tem um poder místico para unir as pessoas no mesmo ideal. Isso aprendemos de nossos antecessores".



Em sua exposição, explicou os princípios diretivos do MST, aprendidos com "nossos antepassados e com os militantes mais experientes":



"1. Direção coletiva: nada de presidente perene. Romper o presidencialismo e o personalismo para desenvolver a militância;



2. Divisão de tarefas: quem faz tudo, faz mal.



3. Disciplina: respeitar a opinião da maioria e cumpri-la.



4. Amor ao estudo: nada de trabalhadores ignorantes. Lutar pelo acesso ao conhecimento científico, que nos ajuda e nos liberta.



5. Formação de quadros para poder crescer: ai da organização que abandona a formação de seus próprios quadros!"



Stédile reconheceu que o MST encontra-se numa encruzilhada. De um lado, eles não podem recuar; de outro, não conseguem avançar sozinhos. A solução?



A construção de um processo de alianças. Aliança de luta, não para fazer reuniões. Aliança com movimentos de pequenos agricultores, com os trabalhadores urbanos, com a pastoral da juventude, com os desempregados, com a sociedade brasileira em geral. E concluiu conclamando a uma grande aliança universal para globalizar a luta e a esperança".



Enchiam o auditório mais de mil adeptos do MST, a ala "ardita" que bradava slogans, tais como: "Reforma Agrária, urgente e necessária", "MST, a luta é prá valer" ou "O MST é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo".



Ameaça violenta da Internacional Campesina



Um primeiro passo para a formação de uma grande aliança universal foi dado em Porto Alegre, onde estiveram presentes líderes de movimentos sem-terra e de camponeses de mais de trinta países. Todos eles hospedados no Convento dos Capuchinhos. Eram cerca de 150 ativistas brasileiros, mexicanos e indianos pertencentes a uma ONG, a Internacional Campesina. Um primeiro projeto comum será levado a cabo no dia 17 de abril, quando "agricultores de vários países pretendem fechar estradas com tratores, parar navios nos portos e trens nas fronteiras com o objetivo de protestar contra a importação de alimentos" ("Folha de S. Paulo", 28-1-01).



Bové e Danielle Mitterrand: o testemunho de duas vedetes estrangeiras



Depois de Stédile falou José Bové, chefe da Confederação dos Camponeses Franceses, e que se tornou conhecido por liderar a invasão de uma filial da rede de lanchonetes McDonald s em Millau, França. Amigo pessoal de Cohn-Bendit, líder da Revolução da Sorbonne em maio de 1968, ele vem tentando capitalizar a indignação dos camponeses e dos criadores de gado contra a unificação econômica européia, fazendo dessa indignação uma bandeira da esquerda.



Bové criticou fortemente a importação de alimentos, defendeu a "soberania alimentar" como sendo um direito humano inalienável, e conclamou todas as forças de esquerda do mundo a se unirem para levar a cabo uma revolução planetária, arrasando todas as "Bastilhas" do mundo de hoje, assim como outrora os sans-culottes da Revolução Francesa destruíram a Bastilha, abrindo caminho para a derrubada da monarquia e implantação da república. E terminou dizendo, à maneira de Stédile, que era preciso "unir as lutas, unir as esperanças".



Noutro salão, Danielle Mitterrand, Presidente da Associação France Liberté, dava seu "testemunho", afirmando que os "ecos de Porto Alegre vão atingir as classes que dominam o capital mundial". E criticou as camadas ricas que não têm senso de "solidariedade".



Inexplicável inação policial ante o vandalismo de baderneiros



Inspirados talvez no exemplo de Bové, que no ano passado foi preso por atacar uma filial do McDonald s, pouco tempo depois de terminados os "testemunhos", um grupo de baderneiros participantes do Fórum atacou a lanchonete McDonald s no Shopping Center Bourbon. Jogaram tinta no letreiro da loja, picharam os espelhos, chegaram mesmo a cuspir nos pratos dos fregueses. A Brigada Militar limitou-se a observar, sem intervir, embora tenha sido chamada pelo gerente do Shopping. O oficial responsável pela operação alegou que tinha ordens superiores para não intervir. Mais uma vez, impunidade. Inércia dos poderes do Estado? Cumplicidade? E os desordeiros impunes deixaram o Shopping, vociferando: "Arroz, feijão, para fazer revolução".



Nesta mesma noite, Bové, apresentado como um novo Asterix gaulês, foi notificado pela Polícia Federal de que só poderia ficar no País por mais 24 horas. Bové - que responde a processo em seu país - obteve habeas corpus no Brasil, tendo retornado no dia seguinte à França. Seja como for, ele se tornou alvo do interesse geral. De um lado, desviando a atenção dos temas mais graves tratados no Fórum; e de outro, "legitimando", com sua posição de "injustiçado e perseguido", no dizer de Stédile, a luta do MST.



Cinismo comunista: Fronteira entre Estados Unidos e México, novo Muro da Vergonha



Assim como os soviéticos de ontem, a nova Revolução tem como alvo preferencial os Estados Unidos, a potência considerada imperialista e opressora. Sob o lema "América é um continente em marcha", o Comitê Internacional pela Construção da Marcha Mundial ao Muro da Vergonha está convidando "todos os companheiros" para a marcha continental que se realizará em janeiro de 2003 rumo ao muro de 3.400 km que separa o México e os Estados Unidos. Espanta o cinismo de comunistas utilizando o termo "Muro da Vergonha", com o qual foi rotulado aquele que seus predecessores erigiram para impedir que a população da Alemanha Oriental fugisse em massa para o Ocidente. E continuam, desinibidos: "A cada ano dezenas de trabalhadores imigrantes perdem a vida ao tentar atravessar esta fronteira fortificada. Até hoje o governo norte-americano conseguiu fugir à responsabilidade pela morte daqueles que executou de forma arbitrária e ilegal".



Discordância e desalento



Unanimidade não houve no Fórum. Uma das vozes discordantes partiu do "Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado" (PSTU), que divulgou manifesto atacando o caráter excludente do evento: "São 10.000 presentes, mas a discussão se restringe aos 84 debatedores das conferências. Nestas, que são o programa central do fórum, não é permitida polêmica com as posições expostas pelos conferencistas. Só são admitidas perguntas por escrito, que podem ser respondidas ou não pelos expositores. ... A juventude foi colocada em local distante do fórum. O mesmo procedimento foi adotado com as oficinas destinadas a negros e negras".



Por outro lado, a Juventude Popular Socialista constatou desanimada a impotência da esquerda em atrair os jovens, perguntando-se: "Por que a esquerda brasileira encontra tantas dificuldades em agregar em suas fileiras na luta por `um novo mundo possível , e um festival de rock (o Rock in Rio) consegue aglutinar mais de um milhão de jovens sob o lema `por um mundo melhor ?"



Internacional ainda mais radical: a da 4ª Revolução



A realização do Fórum Social Mundial, com seu forte tom esquerdista, confirma o dito de Oded Grajew, de que o conceito de esquerda e direita não desapareceu. Para esse empresário esquerdista, tal conceito e uma realidade viva que representa duas concepções do universo diametralmente opostas.



O encontro de Porto Alegre significa por certo um marco na tentativa de organização e avanço das esquerdas no Brasil e no mundo, após o estrondoso fracasso da União Soviética. É o comunismo metamorfoseado. E analistas já levantam a hipótese do surgimento de uma nova Internacional de tipo socialista a partir da "capital vermelha" do Rio Grande do Sul, caso as "esperanças" suscitadas venham a se realizar.



Seria lícito e mesmo necessário acrescentar — utilizando a terminologia do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em seu renomado ensaio Revolução e Contra-Revolução, que denominou o Protestantismo a 1ª Revolução, a Revolução Francesa a 2ª, o Comunismo a 3ª - que essa nova Internacional poderia, a justo título, ser considerada a Internacional da 4ª Revolução. Mas já agora de índole anárquica e tribalista, sucessora das quatro históricas Internacionais de Trabalhadores (surgidas entre 1864 e 1937). Revolução esta de caráter comuno-cultural, que representa um apogeu das três Revoluções anteriores, e que "só pode conduzir, em seus últimos paroxismos, à perpétua e fantasiosa vagabundagem da vida das selvas, alternada, também ela, com o desempenho instintivo e quase mecânico de algumas atividades absolutamente indispensáveis à vida" (op. cit., Artpress, São Paulo, 2ª ed., 1982, p. 72).



O próximo Fórum já está marcado para o ano vindouro. Em Porto Alegre. É preciso aquecer as "esperanças". Carregado por elas, Bové e outros figurões do Fórum proclamaram enfáticos o surgimento de uma nova era para a esquerda mundial: "O terceiro milênio começou em Porto Alegre".



Estiveram ausentes do Fórum, Deus, Nossa Senhora, os Santos e os Anjos. Cumpre saber quais são os desígnios do Céu."





Renato Vasconcelos é jornalista.

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