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Crônicas-->O BRASIL SAIU DA UTI -- 11/01/2006 - 16:08 (Domingos Oliveira Medeiros) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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O BRASIL SAIU DA UTI
(Por Domingos Oliveira Medfeiros)

O Brasil, segundo autoridades governamentais, teria saído da UTI. Pode ser. Mas ainda corre perigo de vida. Ainda respira com a ajuda de aparelhos. E persistem os sinais de falência múltipla dos órgãos. São mais de trinta e cinco. Mas, funcionando mesmo, embora regularmente, apenas dois ou três. Entre os quais o Ministério da Fazenda, o Banco Central e o Ministério do Planejamento.

O Ministério do Trabalho não tem o que fazer. Parou de vez. Deve ser retirado do organismo, tamanha a sua falta de função. Do mesmo modo como se tira um apêndice supurado. O Ministério do Planejamento não planeja nada. Aliás, para ser sincero, nem precisa. Para reajustar os salários dos servidores em um por cento, depois de oito anos de jejum, não há necessidade de grandes cálculos atuariais e estatísticos.

O Ministério da Fazenda, por seu turno, tem dificuldades para articular as palavras. As suas decisões se confundem com o “S”, que é pronunciado com certa dificuldade. Logo ele, que serve de base para formar o símbolo de nossa moeda, o cifrão do Real. Apesar do “disse-me-disse” do presidente, acerca do “espetáculo do desenvolvimento” que estaria por vir. É muito trabalho para os profissionais que cuidam da fala.

Há sinais de cegueira geral. Ninguém está vendo nada. Nem o feijão, que demora três meses para ser colhido, nem o primeiro emprego, que foi anunciado há seis meses. E o segundo emprego, tudo leva a crer, vai demorar mais um pouco para nascer. Talvez nove meses, como o filho do presidente. Todas as nossas autoridades estão, literalmente, engessadas. É sinal que estão chutando muito; e errando a bola. Ou pisando na bola, como queiram os amantes das metáforas e dos aforismos.

O Banco Central, órgão que cuida da moeda, reclama de falta de autonomia. Mas não fala da anemia de que se ressente para impedir a hemorragia que sangra recursos para o exterior, em busca de paraísos fiscais, cuja cirurgia, para vedar este fluxo indevido de dinheiro, tem sido retardada e, conseqüentemente, causando sérios prejuízos ao organismo como um todo.

O gigante pela própria natureza, como sempre, continua sedado e adormecido, de mãos atadas. Dependente de capitais egressos do exterior para pagar a enorme conta do hospital, que não pára de subir. Sobra-lhe, apenas, alguns trocados, que não cobrem nem as despesas com cafezinhos, razão pela qual o governo pretende completar a conta retirando o máximo que puder do bolso dos aposentados. Depois não cabe a choradeira , quando os velhinhos resolverem dar o troco. Enquanto isso, muita gente não tem o que comer. As panelas estão zeradas. O Brasil sobrevive, ainda, graças ao otimismo de sempre. De conformidade com as palavras do presidente, segundo as quais o Brasil é o país do futuro. É só esperar para ver. O futuro a Deus pertence. E, pela lógica, só virá depois da morte do paciente. Quem viver, verá. A bem da verdade, no Brasil, o futuro não tem futuro. Tudo passa do presente para o passado.

Por isso, em relação aos aposentados ( atuais e futuros) pode-se afirmar, com certeza, que eles não terão futuro. Principalmente os que ainda estão em atividade; esses terão que esperar mais alguns anos para requerer a aposentadoria, na forma da proposição do governo. E, sendo assim, morrerão como heróis: de fome, em pleno exercício de suas funções.

Do livro do autor Fragmentos do Cotidiano.
(Reproduzido a pedidos0

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