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Contos-->A DANÇA DAS DEZ IRMÃS -- 04/04/2009 - 10:43 (Umbelina Linhares Pimenta Frota Bastos) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. A DANÇA DAS DEZ IRMÃS

O fato aconteceu em uma cidade bem pequenina e calma lá para idos dos anos quarenta, do século passado; com a família de um coronel de muitas posses e dono de quase todas as terras da redondeza, que tinha dez filhas e todas muito lindas.
Todas dormiam em dez camas no mesmo quarto, e quando iam para a cama as portas do quarto era fechada a chave pelo Coronel. Pela manhã, porém, os seus sapatos apresentavam as solas gastas como se tivessem dançado com eles a noite toda.
Ninguém conseguia descobrir como acontecia isso. Então o Coronel anunciou por toda cidade e redondeza que se alguém descobrisse o segredo e informasse onde as jovens dançavam a noite, casaria com aquela de quem mais gostar.
Evidentemente que além de se casar com uma linda jovem também seria o herdeiro do título de Coronel, mas havia um porém, a pessoa que tentasse descobrir o segredo e não o tivesse conseguido ao final de três dias e três noites seria morta.
Apresentou-se primeiro um filho de um ilustre major. Foi bem recebido e a noite o levaram para o quarto ao lado daquele onde dormiam as jovens.
Ele teria que ficar atento para ver onde elas iriam dançar e para que nada acontecesse sem ele perceber deixaram a porta aberta.
Mas não demorou e o jovem adormeceu; e quando acordou pela manhã notou que as jovens haviam dançado uma vez que as solas dos seus sapatos estavam cheias de buracos.
O mesmo aconteceu nas duas noites seguintes e por isso o Coronel ordenou que lhe cortasse a cabeça. Depois dele vieram vários outros; nenhum teve melhor sorte e da mesma forma todos acabaram perdendo a vida.
Um dia aconteceu que um ex-soldado que tinha sido ferido em combate e não podia mais trabalhar e nem lutar, ao atravessar uma pequena praça, encontrou uma senhora de idade avançada que lhe perguntou aonde ia.
___ Quero descobrir onde as dez jovens dançam e assim mais tarde vir a ser o Coronel. Bem, disse a senhora, isso não será difícil, basta que tenhas cuidado e não bebas do suco que uma das jovens lhe trouxer à noite. E logo que ela se afastar deves fingir estar dormindo profundamente.
Além do conselho entregou-lhe uma capa e acrescentou:
___ Logo que puseres esta capa ficarás invisível e poderás seguir as jovens e ver para onde elas vão. Quando o soldado ouviu estes conselhos foi ter com o Coronel e disse-lhe que estava pronto para descobrir o segredo.
Chegando a noite conduziram-no até o quarto. Antes de deitar, porém, a mais velha das filhas trouxe-lhe um copo com o suco, mas o soldado entornou todo o conteúdo sem que ela percebesse. Logo após deitou-se na cama e passados alguns minutos começou a roncar baixinho fingindo estar dormindo.
As dez jovens puseram-se a sorrir, levantaram-se e abriram o guarda-roupa vestindo-se esplendidamente e saltitando de alegria já antecipando mais uma noite gloriosa.
A mais jovem, porém, subitamente preocupada, disse:
___ Não me sinto bem, estou com um pressentimento que alguma coisa vai nos acontecer.
­­___ Tola!... Replicou a mais velha. Já não perdestes a conta dos jovens que têm vindo nos espionar e nada descobriram. E quanto ao soldado tive o cuidado de lhe dar a bebida que o fará dormir como um bebê.
Quando estavam todas prontas foram espiar o soldado que continuava a ressonar e estava completamente imóvel. Então se julgando segura a mais velha foi até a sua cama, bateu palmas e no mesmo momento a cama enfiou-se para debaixo do chão, após a abertura de um alçapão.
O soldado as viu descerem pelo alçapão, uma atrás da outra. Levantou-se pôs a capa que a velha lhe tinha dado e inadvertidamente pisou na cauda do vestido da mais jovem que gritou pelas irmãs:
___ Alguém puxou meu vestido!...
___ Que tolice! Disse a mais velha. Foi um prego na parede. Todas desceram e quando chegaram ao fim encontram-se num bosque de árvores maravilhosas, com muitas flores e com folhas de um verde brilhante esplendoroso.
O soldado querendo levar uma prova da existência do lugar partiu um raminho e guardou consigo.
Chegaram num segundo bosque onde as folhas brilhavam tanto que parecia feitas de ouro e ainda num terceiro bosque onde o brilho, tal qual diamante, quase cegava.
O soldado em cada um dos bosques partiu um raminho que guardava as características maravilhosas do lugar.
Finalmente, chegaram a um grande lago onde em sua margem estavam ancorados dez barcos pequenos, dentro dos quais dez belos jovens pareciam estar à espera das jovens.
Cada uma das jovens entrou em um barco, e o soldado saltou naquele aonde ia a mais jovem. Na travessia do lago o jovem que remava reclamou:
___ Não sei por quê!... Mas apesar de estar remando com toda força, parece-me que estamos nos movendo mais devagar do que de costume.
Do outro lado do lago ficava uma grande mansão, parecida com um castelo, de onde mesmo à distância podia ser ouvidos sons de orquestra.
Desembarcaram todos e entraram na mansão onde cada jovem dançou com o seu par. O soldado também dançou entre eles e, aproveitando-se da sua invisibilidade, bebia todo o vinho que era colocado numa taça ao lado das jovens que os encontrava vazio quando os levava à boca.
A garota mais jovem ficava muito assustada e nervosa, mas a mais velha a tranqüilizava e ela voltava a dançar. Dançaram até as três horas da madrugada, e então já com os seus sapatos gastos tiveram que parar.
Os rapazes as levaram de volta ao outro lado do lago, mas desta vez o soldado retornou no barco da mais velha. Na margem oposta se despediram e os rapazes prometeram voltar na noite seguinte para buscá-las.
Quando chegaram próximo a escada do alçapão o soldado adiantou-se, subiu primeiro e foi logo se deitar. As jovens subiram devagar porque estavam exaustas de tanto dançar.
Ouviram o ronco do soldado e respiraram aliviadas, pois estava tudo sob controle. Tiraram os seus trajes elegantes, os sapatos colocaram na sapateira onde se encontravam centenas de pares de sapatos, e dormiram tranqüilas.
Pela manhã o soldado não disse nada do que tinha visto uma vez que desejava ver novamente a estranha aventura das garotas.
Na segunda noite o soldado já pode notar alguns detalhes que tinha passado despercebido. Observou por exemplo que os rapazes pareciam todos idênticos, de uma beleza não humana e suas roupas eram todas negras.
Achou aquilo bastante estranho. Alguns odores também que chegaram até seu nariz o deixaram nauseado. Entretanto, a beleza do lugar prevaleceu sobre o restante das coisas inusitadas com que ele se deparou.
Na terceira noite, porém, o soldado levou consigo uma das taças de cristal como prova da existência do lugar onde tinha estado.
Chegada a ocasião de revelar o segredo, foi levado à presença do Coronel e consigo levou, dentro de um embornal, os dois ramos e a taça como prova.
As dez jovens, atrás da porta, tentavam escutar tudo o que era dito na outra sala. Quando o Coronel lhe perguntou:
___ Onde as minhas filhas estiveram?
___ Estiveram com dez jovens em uma mansão que mais parecia um castelo debaixo da terra. Respondeu o soldado.
Depois relatou ao Coronel tudo o que tinha se passado. As moças atrás da porta prestavam atenção em tudo.
___ Que provas você tem dessa maluquice toda? Perguntou o Coronel.
Neste embornal tenho as provas que não deixarão nenhuma dúvida de que estou dizendo a verdade.
Quando o soldado tentava abrir o embornal as luzes dos candelabros piscaram várias vezes como se alguém sorrateiramente estivesse soprando as velas.
Ao abrir o embornal viu horrorizado que ao invés das provas, encontravam-se três ratos em decomposição sendo devorados por uma quantidade imensa de larvas nojentas.
___ Que brincadeira é esta? Gritou zangado o Coronel. Ninguém brinca comigo desta maneira.
Naquela noite mais uma cabeça rolava, pois, o pobre soldado não conseguiu convencer o Coronel da veracidade da sua história.
Atrás da porta, as dez jovens gargalhavam com as bocas escancaradas e com um brilho demoníaco nos olhos já ansiando pela próxima noitada na mansão do diabo.




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