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Contos-->O Monstro do Ingá! -- 26/03/2009 - 20:56 (Antonio Accacio Talli) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
O Monstro do Ingá
Antonio Accacio Talli

Eu tinha um primo, Ivan, contemporâneo na faculdade de Medicina, pesando aproximadamente 140 kg, muitos músculos e pouca gordura, que corria mais de duas horas no futebol sem se cansar. O homem era um touro.

De uma bondade extrema, amigo de todos, era capaz de dar suas calças e cuecas para os mais necessitados, se ele estivesse sóbrio, situação essa difícil de acontecer. Muito inteligente, estava sempre entre os primeiros alunos de sua turma; porém, infelizmente, costumava exagerar na bebida, tornando-se, então, violento e perigoso.

Provocava brigas sem qualquer motivo e, com sua força descomunal, só parava de bater quando nenhum de seus oponentes permanecesse em pé. Dava medo sair com ele. Uma certa noite, o primo, após tomar todas, aprontou uma briga no Jardim do Ingá, em Niterói. Provocou a turma da praia, garotões bronzeados e fortes, com treinamento em artes marciais, para um tira-teima.

No meio da praça existia um monumento, ao redor do qual Ivan, de calção e sem camisa, pulava como um gorila, chamando o pessoal para a briga. Uns dez deles rodearam-no e resolveram calar aquele paulista metido.

Após 30 minutos de luta corporal, viam-se corpos espalhados, machucados e sangrando. Arrastando-se, tentavam fugir do monstro. Foi uma verdadeira batalha campal.

O primo, imponente e inteiro, saltitava em volta do monumento querendo mais briga e, agora, urrando como um leão.

Foi então que os garotões, praticamente mutilados, resolveram chamar Tamanduá, alcunhado “O Rei da Praia”, que todas as noites fazia ponto no bar da esquina.

Tamanduá, de calção colorido, peito avantajado e desnudo, bíceps pronunciado, bunda estreita, cintura fina, formando com o tórax um verdadeiro triângulo, lembrando a famosa figura de Popeye, tomava suas cervejas, sempre pagas pelos bajuladores que o respeitavam por ser cruel e violento.

O Rei da Praia, indiferente aos chamados, levanta-se lentamente, chuta a cadeira entre um gole e outro, e pergunta, bravo:
“Cadê o home?”.

Os garotos respondem:
“Está no Jardim, Majestade”.

Tamanduá, após quebrar o gargalo de uma garrafa, começa a caminhar em direção ao lugar indicado.

O palco estava pronto para a grande luta – de um lado, o primo Ivan, naquela altura já considerado o Monstro do Ingá, e do outro, Tamanduá, o Rei da Praia.

A expectativa era inquietante. Uma multidão se aglomerava aguardando o início da batalha. Na bolsa de apostas, Tamanduá levava vantagem de 10 por 1. O Rei, peito erguido e com o gargalo da garrafa na mão, ia se aproximando com o olhar fixo, e determinado a estraçalhar aquele que ameaçava acabar com o seu reinado.

A cinco metros do monumento, gritou:
“Ei, cara, comece a rezar, agora você vai morrer!”.

Foram suas últimas palavras. Eis que Ivan, o Monstro do Ingá, num impulso fenomenal, voa em direção ao rival, metendo-lhe os dois pés no peito. Tamanduá é arremessado a uns dez metros de distância, caindo no asfalto, bem no meio da avenida, desmaiado. O ex-Rei, encaminhado ao hospital mais próximo, ao recobrar os sentidos, gemendo e apavorado, numa confusão mental de causar pena, balbucia:
“O que aconteceu? Onde está o Monstro? Não deixem ele entrar!”.

Daquele dia em diante, o primo Ivan, vulgo O Monstro do Ingá, passou a reinar sozinho no pedaço. No bar da esquina, agora, só tinha uma cadeira – extremamente reforçada – de Rei, e essa era ocupada pelo temível Monstro.

A partir de então, ele tornou-se o único ídolo dos garotões bronzeados.


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