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Poesias-->Caminhos -- 11/06/2010 - 00:03 (MARIA CRISTINA DOBAL CAMPIGLIA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Caminhos



Há caminhos banais e toscos como muros.

Não muros grafitados

mas limpos,

lisos como azulejos

sem diferenciais.



Por não querê-los

escalo viadutos nas cidades cheias

nas luas perdidas

nas partes de mim.



Atropelo pombas

em quintais vazios

e volto às ruas

com o peito chiando

em dor

por não ter nada.

Por não conseguir assimilar

o código do outro como solicitado

para dar forma à paixão

e domesticá-la

e guardá-la em vidros

para hibernação.



Dói a dor

de não ser explicito

não por não ser

mas por ter que fingir

tantas e tantas vezes

para poder cruzar

entre os robôs que mordem.



Por isso é que às vezes

saio como tantos

e os encontro soltos

e há encontros cantos

fáceis e dormidos

feito luas novas...

É por isso mesmo

-sei que sou mais uma-

e é que somos tantos

mas tão sós

e mudos...

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