Usina de Letras
Usina de Letras
                    
Usina de Letras
103 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 57113 )
Cartas ( 21170)
Contos (12596)
Cordel (10092)
Crônicas (22213)
Discursos (3137)
Ensaios - (9017)
Erótico (13404)
Frases (43772)
Humor (18490)
Infantil (3792)
Infanto Juvenil (2720)
Letras de Música (5470)
Peça de Teatro (1317)
Poesias (138320)
Redação (2926)
Roteiro de Filme ou Novela (1055)
Teses / Monologos (2401)
Textos Jurídicos (1925)
Textos Religiosos/Sermões (4892)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Poesias-->Saturno -- 28/05/2010 - 00:31 (MARIA CRISTINA DOBAL CAMPIGLIA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Saturno



Saturno era um negro gigante.

Cantava com voz de caverna

e eu

e meu irmão

interrompiamos

a aula de canto do meu avô

com as nossas risadas.



O mundo era enorme

desconhecido em tudo

e as esquinas tinham segredos

e mágicas

e aventura.



Meu avô nos ensinou coisas estranhas.

Clave de sol, música e acordes.

O piano ocupava a sala toda

onde ele recebia os alunos.

Nós fazíamos arte

-de criança-

no jardim.

E morriamos de rir dos astronautas

que brincavam conosco.



Visitavam nosso barco

Cowboys bonzinhos

e detetives

e dançarinas.

Conseguiamos fazer as épocas

sem gastar com figurinos

e percebiamos os anos

os perfumes

as tocaias.

Todos os deleites de nossas histórias.

Criávamos os tempos com acertados detalhes

e um dia disseram-nos que os sábados

brincados

acabaram.



Soldados esquisitos armaram-se nas ruas

e as noites eram curtas

e não podia mais

haver calçada

com lua

campainha do vizinho

e primos correndo

conosco.



O país ficou em sombra

e muitos amigos da casa que via

nunca mais vi.



Eu não entendia direito

pessoas falando em segredo

e livros queimando no quintal.



Saturno não veio mais

cantar.



Hoje sei de veias abertas;

de viradas de mesa,

tal e tal...

E que o barco dos piratas do jardim

existiu.

Assim como o foguete que partia

com cheiro de bolo

do fundo do quintal.

Sim.

Existiu sim.

Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui