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Artigos-->Lembrar é preciso - 7 -- 18/04/2001 - 10:32 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Na ocasião em que Jessie Jane Vieira de Souza, antiga "militante" da ALN, recebe no dia 17 de abril de 2001 (5 anos de Eldorado do Carajás, mera coincidência?) o prédio do antigo DOPS, do Rio de Janeiro, para instalação do Arquivo Público do Rio de Janeiro, é importante que se lembre um importante episódio ocorrido há mais de 30 anos: a proliferação dos "Grupos dos Onze" por todo o Brasil.



Dona Jessie nunca confessou aos brasileiros o que fez como "militante" da terrorista ALN de Marighela, mas sabe-se que há cerca de 30 anos ela participou, com o seu companheiro Colombo, do seqüestro de um Caravelle da Cruzeiro do Sul que fazia a linha Rio-Buenos Aires.



A desinformação faz parte da política da esquerda e o que se pode esperar de um Arquivo Público nas mãos de pessoas sem escrúpulos, além de que passem a lamber os rabos sujos uns dos outros e a promover a auto-adoração?



Com certeza, História do Brasil esse Arquivo não comportará. Apenas Mitologia do Brasil, o enaltecimento de terroristas de outrora, hoje elevados a heróis e mitos nacionais.



E ainda tem gente que diz que o crime não compensa... Grande Jessie!



Abaixo, transcrição de um trabalho de F. Dumont sobre os "Grupos dos Onze". Sempre e sempre, lembrar é preciso.



----------



"OS GRUPOS DOS ONZE E O EXÉRCITO POPULAR DE LIBERTAÇÃO



Em outubro de 1963, Leonel de Moura Brizola, então Governador do Rio Grande do Sul, considerava que o Brasil estava vivendo momentos decisivos e que, rapidamente, se aproximava o desfecho que poderia colocar o País numa nova linha política. Nesse momento, raciocinava o caudilho gaúcho, ele queria estar na crista da onda esquerdista que varreria o País.



Sucessivamente, em 19 e 25 de outubro, Brizola fez inflamados pronunciamentos à Nação, através dos microfones de uma cadeia de estações de rádio liderada pela Mairink Veiga, que detinha, na época, o maior percentual de ouvintes das classes média e baixa. Nesses pronunciamentos, eivados, como sempre, de metáforas e redundâncias, conclamou o povo a organizar-se em grupos que, unidos, iriam formar o "Exército Popular de Libertação" (EPL). Com sua habitual e singular loquacidade, comparou esses grupos com equipes de futebol e os 11 "jogadores" seriam os "tijolos" para "construir o nosso edifício".



Estavam lançados os "Grupos dos Onze" (G-11) que, para Brizola, constituir-se-iam nos núcleos de seu futuro exército particular, o EPL.



Os documentos posteriormente encontrados em seus arquivos pessoais revelaram os planos para a formação dos G-11 e do EPL, escritos numa linguagem incisiva mas primária, dramática mas demagógica.



O documento mais hilariante, se não fosse macabro, era o das "Instruções Secretas", assinadas por um "Comando Supremo de Libertação Nacional". Ele iniciava-se por um "Preâmbulo Ultra-Secreto", no qual a morte incidiria sobre aqueles que revelassem os segredos dos G-11:



"Após tomar conhecimento, só a morte libertará o responsável pelo compromisso de honra assumido com o Comando Supremo de Libertação Nacional ... 0 compromisso de resguardo deverá ser um tanto solene, para impressionar o companheiro, devendo, antes, verificar as idéias desse Soldado dos G-11, a fim de que seja selecionado, ao máximo, os autênticos e verdadeiros revolucionários, os destemerosos da própria morte..."



Os G-11 seriam a "vanguarda avançada do Movimento Revolucionário", a exemplo da "Guarda Vermelha da Revolução Socialista de 1917 na União Soviética".



Defendendo a tese de que "os fins justificam os meios", fazia veladas ameaças sobre futuros atos dos G-11:



"Em conseqüência, não nos poderemos deter na procura de justificativas acadêmicas para atos que possam vir a ser considerados, pela reação e pelos companheiros sentimentalistas, agressivos demais ou, até mesmo, injustificados".



Os integrantes dos G-11 deveriam considerar-se em "Revolução Permanente e Ostensiva" e seus ensinamentos deveriam ser colhidos nas "Revoluções Populares", nas "Frentes de Libertação Nacional" e no "folheto cubano" sobre a técnica de guerrilha (nessa época, os "folhetos cubanos" sobre a técnica de guerrilhas eram disseminados, no País, pelos denominados Movimentos de Educação Popular).



Admitiam, essas "Instruções Secretas", que a época era propícia à atuação dos G-11:



"Devemos nos lembrar que, hoje, temos tudo a nosso favor, inclusive, o beneplácito do Governo e a complacência de poderosos setores civis e militares, acovardados e temerosos de perder seus atuais e ignominiosos privilégios".



Instruíam os G-11 sobre a aquisição de armas, recomendando "não se esquecer dos preciosos coquetéis molotov e outros tipos de bombas incendiárias".



Alertavam, também, que:



"A escassez inicial de armas poderosas e verdadeiramente militares será suprida pelos aliados militares que possuímos em todas as Forças Armadas..."



As "Instruções Secretas" estabeleciam o esquema para o início do movimento insurrecional:



"... os camponeses, dirigidos por nossos companheiros, virão destruindo e queimando as plantações, engenhos, celeiros, depósitos de cereais e armazéns gerais... A agitação será nossa aliada primordial e deveremos iniciá-la nos veículos coletivos, à hora de maior movimento, nas ruas e avenidas de aglomeração de pedestres, próximo às casas de armas e munições e nos bairros eminentemente populares e operários. Desses pontos e à sombra da massa humana, deverão convergir os G-11 especializados em destruição e assaltos, já comandando os companheiros e com outros se ajuntando pelas ruas e avenidas, para o centro da cidade, vila ou distrito, de acordo com a importância da localidade, depredando os estabelecimentos comerciais e industriais, saqueando e incendiando, com os molotovs e outros materiais inflamáveis, os edifícios públicos e os de empresas particulares. Ataques simultâneos serão desfechados contra as centrais telefônicas, rádio-emissoras e, onde houver, de TV, casas de armas, pequenos Quartéis Militares ..."



Ciente de que a revolução vinha sendo conduzida pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), através da chamada "via pacífica", Brizola reservou um item de suas "Instruções Secretas" para tratar do "Aliado Comunista":



"Devemos, ..., ter sempre presente que o comunista é nosso principal aliado mas, embora alardeie o Partido Comunista ter forças para fazer a Revolução Libertadora, o PCB nada mais é que um Movimento dividido em várias frentes internas em luta aberta entre si pelo poder absoluto e pela vitória de uma das facções em que se fragmentou".



E prosseguiam, as Instruções, nos seus ataques ao PCB:



"São fracos e aburguesados esses camaradas chefiados pelos que vêem, em Moscou, o único Sol que poderá guiar o proletariado mundial à libertação Internacional".



Ao mesmo tempo, Brizola apontava o radical Partido Comunista do Brasil (PCdoB) como um possível aliado:



"Existe uma ala mais poderosa que, dia a dia, está se elevando no conceito do proletariado marxista, seguidora dos ideais de Mao Tse Tung, de Stalin, e que são, em última análise, os de Marx e Engels. É nessa ala, hoje muito mais poderosa que a de Moscou, que iremos buscar a fonte de potencialidade material e militar para a luta de Libertação Nacional".



Mas, o tragicômico das "Instruções Secretas" aparecia, com espantosa nitidez, no item sobre a "Guarda e Julgamento dos Prisioneiros":



"Para essa tarefa de suma importância, deverão ser escolhidos companheiros de condição humilde mas, entretanto, de férreas e arraigadas condições de ódio aos poderosos e aos ricos, a fim de que não discutam ordens severas que poderão ser conhecidas no momento da luta de Libertação. Estes grupos dos Onze companheiros terão, como finalidade primordial, deter, em todo o seu raio de ação, municípios, vilas, distritos e povoados, todas as autoridades públicas, tais como Juízes de Direito, Prefeitos, Delegados de Polícia, Vereadores, Presidente da Câmara, Políticos influentes e outras personalidades que por acaso estejam dentro de sua esfera de atribuição e limites de ação, recolhendo-os a locais apropriados, preferentemente no meio do mato, sob guarda armada e permanente. No caso de derrota do nosso Movimento, o que é improvável, mas não impossível, dado a certas características da situação nacional, e temos que ser verdadeiros em todos os nossos contatos com os Comandos Regionais e esta é uma informação para uso somente de alguns companheiros de absoluta e máxima confiança, os reféns deverão ser sumária e imediatamente fuzilados, a fim de que não denunciem seus aprisionadores e não lutem, posteriormente, para sua condenação e destruição".



No início de 1964, Brizola lançou seu próprio semanário, "O Panfleto", que veio se integrar à campanha agitativa já desenvolvida pela cadeia da Rádio Mairink Veiga.



Em seus sonhos quixotescos, distribuiu diversos outros documentos para a organização dos G-11, tais como as "Precauções", os "Deveres dos Membros", os "Deveres dos Dirigentes", um "Código de Segurança" e fichas de inscrição para seus integrantes.



Chegou a organizar 5.304 grupos, num total de 58.344 pessoas, distribuídas, particularmente, pelos Estados do Rio Grande do Sul, Guanabara, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo.



Para Brizola, a revolução estava madura, pronta para ser desencadeada.



Havia um líder, ele mesmo.



Havia as idéias, seus próprios sonhos de poder.



Só faltava algum simples episódio que inflamasse o povo e que fizesse proliferar os Grupos dos Onze, provocando o surgimento de seu "Exército Popular de Libertação", na verdade, um pequeno-louco exército de Brizoleone.



F. Dumont"



(Extraído de TERNUMA: www.ternuma.com.br)



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