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Crônicas-->Trama -- 02/09/2005 - 12:46 (Marilisa Loureiro Gomes) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


Em dias chuvosos eu adoro ficar assim, imóvel, apenas observando.
Fecho os olhos e escuto a chuva. Sem dúvida é uma orquestra! Sons mais agudos em alguns momentos, baixos, em outros. Às vezes tão suaves, sumindo de mansinho para dar entrada ao canto vigoroso dos pássaros, depois, o rufar das trovoadas e novamente o dedilhar da chuva, primeiro lentamente e logo em seguida teclando triunfante sobre os telhados, vidraças e calçadas.
Quando abro as pálpebras e fito os intermináveis fios de cristal escorrendo do céu, imagino quantas tramas eu poderia tecer com eles! Mania de artesã.Toda a família é assim, está no gene. Basta ver a coleção de tapeçarias que forram paredes e piso da minha casa. Todas em seda. E as roupas que agasalharam meus filhos nos primeiros tempos de suas existências? Belíssimas! Feitas por mim.
Aproveito para esticar um pouco as pernas (depilação já!), crio coragem e coloco-as uma de cada vez além da marquise, até sentir as gotas mini aquários sem peixes brincando de escorregar sobre elas.
Não resisto, dou uma corridinha rápida pelo pátio e deixo-me molhar por inteiro.
Pesada, encolho-me, alongo-me e sorvo a água que teima em permanecer sobre o meu corpo. Adoro os líquidos. Tenho mania de liquefazer toda a minha alimentação. Deve ser por isto que tenho um abdômen tão flexível.
Lentamente volto ao meu observatório e me perco em devaneios.
Quando criança, eu sonhava em ser trapezista. A música elevava o meu corpo cada vez mais a cada balanço e então eu saltava, mas, em vez de trapézio, agarrava-me a um fino cordão preso num galho de laranjeira, com o qual eu desafiava a lei da gravidade, balançando pra lá, pra cá e vinha escorregando até quase ao solo. Depois, voltava a subir, começando tudo novamente.
Não virei trapezista, no entanto, adoro praticar bungee jump.
A chuva amainou e eu preciso voltar ao trabalho. Tenho que garantir a sobrevivência.
Aqui, no ângulo superior da sacada, tomo uma decisão: Hoje à noite farei a minha melhor tecedura. Amanhã, quando o sol nascer, ela poderá ser vista de longe, pauta musical em fios intercalados de notas d’água. E, com tanta beleza, nem um inseto resistirá à minha teia.







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