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Poesias-->ESTAÇÃO -- 08/05/2009 - 00:25 (MARIA CRISTINA DOBAL CAMPIGLIA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
ESTAÇÃO



Creio num frio que conheço

velho como a gana do encontro.



Acho seu casaco pendurado.



Fecho seu caderno rasurado.



Todos seus contornos me subornam

quase parecendo uma lareira:

saio deste outono aventurado

e entro nesse inverno esfarrapado.



Quase que acredito no passado.



Mas tu me apareces sem recado:

sol que abranda o sangue como fado

volto a ver o frio no telhado

belo, todo meu, desajeitado.



Peço-te os invernos encantados,

chuvas e verões ensolarados.

Nada de calçadas sem suborno.

Tu: pronome meu, por ti deixado.
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