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Contos-->Bom Coração -- 28/03/2008 - 12:44 (Marilisa Loureiro Gomes) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
BOM CORAÇÃO


Estou na loja conversando com a vendedora, quando entra uma cigana.
Dirigindo-se a mim, me chama de querida e diz que vai falar coisas boas que estão para acontecer na minha vida. Dou risada e digo que não precisa. Ela insiste, diz-me que é de graça! E já começa a anunciar que dentro de dois dias vou receber todo o amor e carinho que necessito! Bem, afeto nunca é demais!
Logo em seguida pede pra eu anotar um número, que, segundo ela é meu número da sorte. Inacreditável! Vou ficar milionária jogando o número na loteria!
Aí, ela pega a minha mão e começa a ler: _ Tudo o que você tem é fruto do seu trabalho, do seu esforço, nada veio da família.
Isto realmente está em minhas mãos! E ela continua acompanhando com o dedo uma linha na palma da minha mão: _ Você terá uma longa vida!
É bem provável! A expectativa de vida dos brasileiros está cada vez maior!
Então a cigana tira um colar de sementes de dentro de uma bolsa e diz que vai me benzer. O tal colar, segundo ela, foi presente de Chico Xavier. Sim, conheceu-o em Porto Alegre. Ele é gaúcho.
Estou simplesmente impressionada! Se o polonês João Paulo II disse que era gaúcho, por que o mineiro Chico Xavier também não poderia ser?
Colocando o colar sobre as minhas mãos, pede para eu repetir com ela uma oração à Nossa Senhora.
Como sabe da minha devoção? Pelo tamanho da medalha que estou usando na correntinha do pescoço, não fica difícil adivinhar!
Mesmo assim, associo-me a oração. Não sou de me deixar envolver, neste dia, porém, estou com as defesas baixas. Completamente desarmada! Simplesmente acompanho a história, só pra ver no que vai dar.
Terminada a oração, ela ainda lembra que há muita inveja ao meu redor!
Até aí, sem novidades! E por último, ela vê na palma da minha mão, que sou caridosa, que só pratico o bem.
Incrível, ela acertou! E aí, a pergunta inesperada: _ Você daria aquele carrinho ali da prateleira, de bom coração, para o meu netinho que está de aniversário?
_Veja bem: de bom coração! Não lhe cobrei nada até agora!
Percebo a cilada. Que idiota que eu fui!
Ela começa a falar de uma dor que tive há dois anos atrás em uma das pernas. Quem nunca teve uma dor na perna? E quem vai se lembrar se foi há um, há dois anos ou no mês passado? Eu, eu me lembro! Foi exatamente há dois anos! Tive que tirar licença do trabalho e submeter-me a infindáveis sessões de fisioterapia! A cigana sorri satisfeita.
E pergunta novamente: _ Você daria aquele carrinho ali da prateleira, de bom coração, para o meu netinho que está de aniversário?
_ Veja bem: de bom coração!
Falo pra ela que a loja não é minha, ao que ela retruca: _Mas, você tem crédito, não tem?
Logo em seguida a cigana puxa um cordão do bolso da saia, corta-o em quatro partes e pede para que eu dê três nós em um dos fios. Dou os três nós, ela estica bem o fio e faz-me deslizar os dedos sobre o mesmo para sentir os nós. Eles estão ali, bem firmes!
Agora ela quer que eu conte os meus problemas. Falo que não tenho problemas. Ela não acredita é claro! E começa o interrogatório: - Você vive bem com o seu marido?
_Seus filhos têm dificuldades na escola? _ Sofrem de alguma doença?
_Vamos menina! _Quais são os seus problemas?
E eu, rindo de tudo!
Então ela volta a falar em dores. Aquela que eu tenho na cervical, a do ombro direito, a dos joelhos e não deixa escapar nem a dor de cotovelo! Meu Deus! Acho que vou surtar!
E pela terceira vez ela pergunta: _ Você daria aquele carrinho ali da prateleira, de bom coração, para o meu netinho que está de aniversário?
Antes que eu responda, ela pega o cordão onde eu fiz os três nós e me diz que vai fazer desaparecê-los. Tenho certeza que vai me enganar, mas, ela enrola o fio com a ponta dos dedos, depois o estica e então me mostra o cordãozinho sem um nó! E com isto, sentencia que desfez os meus problemas. Pela quarta vez pergunta: _ Você daria aquele carrinho...?
Danada de cigana! Escolheu o carrinho maior!
Peço pra que ela saia da loja enquanto registro a compra. Tenho pressa, falo pra vendedora que coloque o carrinho numa sacola de plástico e que o entregue pra cigana. Não quero vê-la, nem falar mais com ela. Mas, ela volta e pergunta se não dá pra fazer um pacote pra presente?! A vendedora querendo se livrar dela, diz que não, que as embalagens grandes de presente terminaram.
A cigana então se dirige a mim: _ Você pode me dar a nota da compra?
Irritada, respondo um não bem sonoro!
Ela vai embora e eu fico a lembrar de suas palavras: _ Você daria aquele carrinho, ali da prateleira, de bom coração...?
Bem, precaução nunca é demais! Digo pra vendedora que já volto e corro atrás da cigana para entregar-lhe a nota fiscal da compra do carrinho.


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