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Crônicas-->Tributo à Nilda Moreira da Silva, falecida em 16.1.2005 -- 20/01/2005 - 15:33 (Michel Pinheiro) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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CRÔNICA



Helena Maria Moreira da Silva, pedagoga



E aí está a Nilda. A Nilda da vida difícil.
A Nilda de uma caminhada dura. A Nilda que nunca foi à escola, mas aprendeu a ler e escrever sozinha.
A Nilda que trabalhava noite e dia para educar seus filhos, de sua maneira, da maneira que o mundo ensinou: sem psicólogo, sem médico, sem escola, mas com grande dedicação de mãe.
Mãe verdadeira que sempre teve muito amor, carinho e humildade.
Nilda amiga, honesta e verdadeira.
A Nilda mãe. A Nilda esposa. A Nilda trabalhadora A Nilda dona de casa. A Nilda que tirava leite das vacas às 4h. Isto mesmo, de madrugadinha. A Nilda que trabalhava dia e noite cultivando a lavoura. A Nilda que apanhava algodão, quebrava milho, costurava e amamentava seus filhos até o outro nascer. Os queijos, incontáveis foram, coisa que ela fazia com muito prazer.
A Nilda que teve treze filhos. A Nilda que conseguiu criar e educar dez filhos, todos sem vícios, sem drogas e sem mentira.
A Nilda que, mesmo considerada analfabeta pela sociedade, tinha grande sabedoria, amor e respeito pelo ser humano. Na dança e na música via momentos de alegria.
A Nilda que sempre rezava o terço no fim da tarde, que rezava a novena de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro todos os dias de sua vida.
A Nilda que alcançou tantos milagres, no silêncio da vida e da sua caminhada. Nilda sonhadora, cheia de fé e esperança por dias melhores. Melhores para nós, melhores para seus filhos. Melhores para todos. Melhores para quem foi...
Mas lá vai a Nilda, firme, forte e serena. Superando as barreiras.
A primeira delas a perda dos filhos, grandes dificuldades.
E lá vai a Nilda. Vencendo barreiras, criando seus filhos, melhorando de condições, essas que não deram para realizar um grande sonho, andar de avião. Sonhou, sonhou, mas não realizou.
Que vida dura, trabalhou tanto, deu tanto amor... deu tudo de si. E tão pouco que desejou não conseguiu.
Vai, Nilda, o mundo cruel tirou o que mais te valorizava: a tua lucidez. A autoridade de mãe, o teu “jogo de cintura” nas horas difíceis.
Vai, Nilda, segue em frente. Semeia a tua bondade, mostra a tua alegria e vontade de viver...
Vai, Nilda, segue tua missão, mãe amada que voltaste a ser criança mimada por força do destino, que tirou a tua vida mesmo permanecendo entre nós.
Vai, Nilda, mulher de fé, que mesmo inconsciente chama por Deus e por Nossa Senhora em todo momento.
Agora, eu relato os dias mais difíceis: de 28 de agosto a 16 de janeiro de 2005, período de muita dor, promessas, orações, choros e tristezas.
E lá vai a Nilda. As doenças te cercam: primeiro alzheimer; em seguida, pneumonia, câncer no rim, cirurgia e muita agonia.
Nove de setembro venceu novamente, tira um rim e passeia no hospital corada e sorridente.
Lá vai a Nilda, já conhecida naquele hospital.
E lá vai a Nilda, voltando para casa feliz e contente, os médicos também, às vezes, obram milagres - um deles pelo Dr. Eudes Bastos, cirurgião.
Os dias foram poucos, mas de muitas emoções e todos os filhos ficaram gratificados.
E lá vai a Nilda, de volta para o hospital. A partir deste momento começa a perder a força de viver...
Momentos difíceis. Separação cruel: não pode falar, não pode andar e tão pouco respirar... Os momentos são difíceis e o tratamento fica a desejar...
E lá vai a Nilda, lutando para viver, mesmo inconsciente e sem enxergar, mostrava a sensação de pedir para sair daquele lugar. Precisava ter fé, força e coragem para visitar...
Àquela U.T.I. ninguém quer voltar... nela, a lei é cruel e poucos cumprem com o seu papel. A noite é fria, a ordem é ingrata, minutos contados e muito burocrata.
A vida é bela, mas na UTI é difícil conviver com as bactérias.
Últimos momentos: 16 de janeiro, às 11:20h, não conseguiu mais lutar...
Nossa Senhora, com muita piedade, veio buscá-la para descansar.
Tão linda, partiu sem se despedir, deixando saudade e muito amor semeado...
Vai Nilda, Deus te chama com muita alegria... Tua missão na terra já foi cumprida.
Obrigado, meu Senhor, por nos ter emprestado, por 80 anos, a sua companhia.
Aqui nós ficamos e a Senhora parte para nunca mais voltar...
Com a sua partida o mundo escurece, o azul do céu aparece, o verde dos mares, estampado de alegria, entristece.
O luar do sertão também entristece: o cachorro não late, o galo não canta, o pinto não pia, o gato não mia, o bezerro não berra, a vaca não dá leite e os amigos também entristecem... A lua que era tão clara também escurece, o sol não brilha e a terra estremece.
A casa simpática, tão cheia de vida, agora são lembranças tão pouco esquecidas...
Em cada canto ficaram lembranças vividas, onde jamais vão ser esquecidas...
Se o tempo voltasse que bom que seria, reviver aqueles momentos de grande alegria...






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