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Contos-->Encontros Casuais ?! -- 23/06/2007 - 16:11 (José Carlos Moreira da Silva) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos

“Encontros casuais”?!


Em julho de 2002, eu completava um ano e meio de "solteirice consciente". Digo isto porque após o término do meu último relacionamento, que foi bastante conturbado, eu curti meus momentos de “estar só” com muito gosto: comprei meu apartamento, e fui morar sozinha, passando a dedicar o tempo a minhas atividades prediletas.
Justamente quando eu menos imaginava poder encontrar alguém especial, o destino me pregou uma surpresa. Em uma bela noite uma grande amiga foi até minha casa, para através do meu computador, cadastrar-se em um site de encontros que havia sido citado em uma revista, pois em sua casa não desfrutava da privacidade adequada. De tanto ela insistir acabei me cadastrando, também. Depois de um interrogatório infindável sobre os meus gostos, hábitos e expectativas eu era mais uma daquelas “alone” que buscava um relacionamento cômodo e virtual. Justamente eu, que tanto criticava tais iniciativas por descrença absoluta em tais recursos.
Depois de vários e-mails recebidos de pretensos pretendentes (os mais variados possíveis!), comecei a me corresponder com alguém, que com muito senso de humor, parecia estar ali passando o tempo com uma boa conversa. Constatamos a coincidência de morarmos próximos, comprarmos no mesmo supermercado e até gostos em comum, tais como certa marca de requeijão light.
Durante dois meses trocamos mensagens regadas de boas risadas e afinidades, até que, em um dos e-mails, ele propôs um encontro de verdade: ele, o Jéferson, havia me convidado para ir ao cinema. Foi praticamente um choque, pois as nossas conversas eram bastante despretensiosas a ponto de nunca termos mencionado a hipótese de trocarmos fotografias ou qualquer outra atitude que viesse a indicar a possibilidade de um relacionamento, além dos diálogos virtuais. Eu confesso que adorava chegar do trabalho e mergulhar nas histórias por ele contadas. Foram momentos bem divertidos. Bem, aquele convite pegou-me de surpresa e eu acabei negando, alegando que não achava uma boa idéia correr o risco de estragarmos o encanto daquela diversão. Afinal, como é que eu poderia encontrar-me com alguém que não conhecia? E se ele fosse um tarado? Os meus princípios e a minha razão me impediam de seguir adiante. Acabei dando uma desculpa daquelas bem esfarrapadas, dizendo que se fossemos nos encontrar um dia, seria por força do destino, em um shopping, em um supermercado, quem sabe? A presença de espírito dele logo transformou a minha resposta em um novo convite, mas que não soaria como tal para mim. Ele fez a seguinte proposta: “Diga-me um dia, um intervalo de hora e o supermercado em que você fará suas compras que eu lhe garanto econtrá-la”. Aquele encontro me pareceu um tanto improvável e acabei aceitando o jogo.

Então, no dia aprazado e próximo à hora prevista, ante a possibilidade de encontrá-lo no supermercado, preparei-me colocando um jeans básico, bem justo, com uma camiseta branca, para parecer bem casual. Entrei no supermercado com a sensação de que todos me observavam. Quem seria o tal de Jéferson? Comecei a analisar todas as fisionomias ao redor, mas nenhuma delas parecia apontar o Jéferson. Estava tão ansiosa que não conseguia concentrar-me nas compras. Na segunda volta por entre as prateleiras cruzei com um bonitão de olhos verdes que parecia ser exatamente o “meu número”. Ele sorriu e eu correspondi. Meu coração disparou com o início do nosso “Jogo”. Parecia que o Jéferson (um “pão”!) havia me encontrado. Fingi naturalidade, afinal, nas mensagens trocadas ele afirmou, categoricamente, que me encontraria. Imediatamente lembrei-me do nosso código, o requeijão light. Tratei de dirigir-me para seção dos lacticínios. Percebi que ele me seguia. Comecei a pegar todas as marcas de requeijão da gôndola. Ele continuava ao meu lado disparando sorrisos e olhares. Eu comecei a ficar encabulada, pois o Jéferson não se revelava para mim. Algum tempo se passou entre as paqueradas pelos corredores do supermercado. Quando menos imaginei o Jéferson estava pagando suas compras no caixa. Não entendi nada! Ele ia embora sem falar comigo. Comecei a cogitar a hipótese de aquele homem não ser o Jéferson. Fiquei totalmente corada. Disfarcei, esperei mais alguns minutos e me dirigi ao caixa, afinal já eram quase 23 horas. Após acondicionar as compras no carro, fui para a saída e qual não foi minha surpresa quando vi o “suposto” Jéferson em uma atitude de quem estava aguardando a minha saída. Entrei em pânico. Seria Ele um daqueles maníacos da Internet que quer descobrir onde a Gente mora? Reduzi a marcha o máximo que pude. Ficamos disputando quem deixaria o estacionamento por último. Enfim, ele saiu na frente. Esperei o trânsito fluir e segui meu caminho até a segunda surpresa. O suposto Jéferson me aguardava com o carro parado no final da rua, aguardando a minha passagem e sorrindo. Neste momento eu tive certeza de que aquele homem era o Jéferson e que estaria provavelmente se divertindo com as minhas reações. Passei bem devagar ao seu lado, estampando um largo sorriso e abaixando o vidro fui logo perguntando:
“- Você é que é o Jéferson?” – ao que prontamente ele respondeu:
- “Quase. Eu sou Edison, mas se você preferir mudo para Jéferson em cartório!”
Fiquei completamente atônita com aquela resposta, pois não esperava ouvir um “não”. Com o rosto rubro eu pedi desculpas e disse que o havia confundido com o namorado de uma amiga, começando logo a subir o vidro do carro (Imaginem! Que “mole” eu estava dando para o “dito” namorado da minha amiga!). Imediatamente ele deu um salto do carro e já estava ao meu lado impedindo a minha fuga. Novamente eu comecei a pensar que ele era o Jéferson e que finalmente começaria a gozar da minha cara. Qual não foi minha surpresa quando ele começou a conversar, dizendo aonde morava (sabem onde? Na mesma quadra residencial do Jéferson),o que fazia,etc. Trocamos algumas palavras e me entregou seu cartão, enquanto perguntava o meu telefone. Eu acho que, em uma única noite, fiz tudo que minha mãe sempre condenou. Acabei dando o meu telefone para aquele desconhecido.

Quando cheguei em casa, o Jéferson já me aguardava meio desesperado na Internet, informando que a pedido do irmão, que lhe telefonara quando se dirigia para o encontro no supermercado, fora socorrê-lo para as providências decorrentes de uma batida de carro, e por isso, Ele, Jéferson havia se atrasado muito para o possível encontro.

Então, após ter-lhe contado tudo o que acontecera no supermercado, Ele ficou indignado suplicando encontrar-me naquele momento. Convicta agora que Edison e Jéferson eram pessoas diferentes, confesso que fiquei bastante curiosa e aceitei encontra-lo na lanchonete em frente de casa. O lanche foi muito agradável e demos boas risadas sobre o ocorrido. Desse dia em diante, o Jéferson verdadeiro começou a apostar em nosso relacionamento. Ele foi tão afoito que acabou por me sufocar. Enquanto isso, o “falso” Jéferson, isto é o Edison, começou a me conquistar. Para resumir, acabou em namoro, noivado e casamento, que ocorreu em 15 de novembro de 2003 e agora, esperamos a Ana Luíza, nossa primeira herdeira. - ENCONTROS CASUAIS ?!

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