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Textos_Religiosos-->TJN - 004 = Uma Falha da Engenharia Divina -- 20/08/2007 - 15:21 (TERTÚLIA JN) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. Seria o fenómeno da consciência e da racionalidade humana intencional ou uma falha da Engenharia Divina que levou à intervenção do Criador?

Quando tudo era matéria sujeita às leis da Física Universal estabelecidas pelo Criador, a máquina girava com a perfeição exacta prevista. Tudo se processava por acções e reacções provocadas por estímulos e irritações protoplásmicos numa dinâmica universal a que os seres vivos estão sujeitos. O mundo biológico preservava-se pela dinâmica do egoísmo instintivo e inconsciente, o pólo negativo necessário para a continuidade das espécies, a manutenção da biodiversidade. Era o Paraíso Terrestre da irracionalidade e da inconsciência onde não havia demónios nem penas para cumprir e os actos irresponsáveis justificavam-se pela auto-preservação. Tudo funcionava autonomamente sem a intervenção do Criador embora sob a sua responsabilidade. (Poder-se-ia até dizer que foi um Criador-relojoeiro. Tudo certinho.)
Mas, nesse ecossistema, que seleccionou um conjunto de organismos mutantes, um ser inteligente surge duma espécie desenvolvida "à imagem de Deus". Era o Homem que, no processo evolutivo "psicogenético", adquiriu a Razão, a Consciência e a Inteligência. Este ser psicossomático (a imprescindível dualidade humana)consciente e responsável veio disturbar toda a harmonia e o equilíbrio universal concebido para que tudo se desenvolvesse autonomamente sem a Sua intervenção directa. Foi uma falha da Engenharia Divina que exigiu a intervenção manual do Criador para estabelecer regras e normas de conduta não previstas no processo. A intervenção divina processa-se por intermédio dos Profetas, dos Messias e dos Filhos de Deus imbuídos do seu "Espírito Santo" para que a falha perturbadora seja reparada com os ensinamentos emitidos pelos "Mandamentos da Lei de Deus". Aqui nascem as religiões, os cultos e as normas de conduta para chegar ao reino da Paz do Espírito, ao que se entende por Reino de Deus ou simplesmente Céu.
O Homem liberta-se assim do automatismo do processo, adquirindo vontade e iniciativa própria com a componente espiritual adquirida que o leva a sentir Deus, seu criador. Mas o pólo negativo indestrutível por necessário à dinâmica do egoísmo instintivo que dinamiza a preservação e continuidade da espécie e o processo selectivo e evolutivo da Criação, também intervém para se apoderar do Espírito Inteligente (a Alma) que surgiu da anomalia da racionalidade e que lhe quer fugir atraído pela bondade do Espírito Divino que o criou. Pelo estímulo aliciante da matéria tenta desviá-lo do caminho da Razão, da Paz de Consciência, do Amor, da Salvação que leva a alma a Deus. Essa disputa com o Criador transformou-o num ser maligno, figurado pelo Demónio. O Lúcifer do Reino das Trevas, o Maligno tentador e indestrutível mas evitável com a Fé e a invocação divina.
Eis a luta milenar que se trava entre o Bem e o Mal desde o alvorecer da mente humana, da sua Razão, da sua tomada de consciência que o tornou um ser responsável e imputável pelos seus actos, distinto dos outros seres da Criação. Figurativamente, na História Bíblica, quando degustou o pomo proibido da Árvore da Ciência e foi expulso do Paraíso pela Razão e a Consciência adquirida. Cientificamente, estudando a Obra Divina, a sua Engenharia, seria: desde que, no percurso evolutivo de milhões de anos (que foi um dia no calendário cósmico que não se rege apenas pelos movimentos de rotação e translação do nosso planeta) adquiriu a Razão consciente e a Inteligência. Uma falha divina que veio perturbar todo o funcionamento do Organismo Vivo que não parece provável ter sido casional mas antes criado de forma inteligente, exacta e perfeita, por um desígnio superior: o Cosmos.
A mente racional e inteligente criou novas exigências, pois o Homem "sentiu-se nu", obrigando-o ao Trabalho que dignifica, redime e traz a felicidade do dever cumprido por ser cumprimento duma sentença divina: "tu comerás o teu pão do suor do teu rosto". (A fuga a esta sentença está na origem dos enormes problemas da Humanidade nos tempos actuais, no campo do crime e da destruição ecológica do planeta).
Os trabalhos, os padeceres, os sofrimentos e também as alegrias, começaram então e nada mais se processou automaticamente e inconsciente na vida humana. Foi expulso do Paraíso das Delícias e para o reconquistar tem que prestar a Prova da Vida, no mundo físico, dentro do invólucro corpóreo, vivendo-a conforme a Vontade divina expressa nos Mandamentos da Sua Lei e nos Ensinamentos do seu Enviado e daqueles que estão imbuídos do seu Espírito, vencendo a atracção constante da matéria, da imaginação delirante da mente e do Egoísmo agora consciente, sempre presente no pólo negativo necessário à preservação da espécie(figurativamente o Demónio).
Deus não pode intervir mais no Organismo Vivo que criou e que deve seguir autonomamente o seu destino. Se a solução encontrada para reparar a Falha não surtir efeito, cabe ao Homem, Ser consciente e autónomo, com a racionalidade e a inteligência de que dispõe, solucionar, de forma consciente, os constantes conflitos entre o espírito e a matéria inerentes à condição humana, libertando assim o espírito que o levará ao prazer eterno do Paraíso agora consciente e, enfim, à delícia suprema da contemplação de Deus e da sua Obra.

13/05/2002

Reinaldo Beça












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