Usina de Letras
Usina de Letras
70 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 59518 )

Cartas ( 21247)

Contos (13249)

Cordel (10311)

Crônicas (22246)

Discursos (3167)

Ensaios - (9500)

Erótico (13497)

Frases (46989)

Humor (19364)

Infantil (4541)

Infanto Juvenil (3848)

Letras de Música (5495)

Peça de Teatro (1339)

Poesias (138581)

Redação (3071)

Roteiro de Filme ou Novela (1060)

Teses / Monologos (2430)

Textos Jurídicos (1946)

Textos Religiosos/Sermões (5611)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Contos-->TJN - 009 = O apito de plástico -- 08/03/2007 - 12:23 (TERTÚLIA JN) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
O apito de plástico

Quando soube que tinha sido dado o nome de “apito dourado” a uma investigação da Judiciária, lembrei-me de contar a história do meu apito de plástico, de cor azul, que trago sempre comigo quando ando na rua. Embora não tenha nada a ver com árbitros, este chichorrobio tem, contudo, alguma ligação com o crime.
Tudo começou quando recebi uma chamada telefónica do meu irmão para me dizer, muito excitado, que tinha sido assaltado na rua.
- Estás em casa? Vou já aí – disse eu.
Fui encontrá-lo com as canelas numa desgraça e um grande hematoma na cara.
- Eh pá, saio do comboio nas Mercês, venho pelo passeio, direito a casa, e a meio do caminho sinto-me agarrado por trás. Procurei segurar a mala que trazia a tiracolo, mas aparecem mais dois mânfios para ajudar à festa, entalam-me entre dois carros que estavam estacionados e vai de malhar. Quando percebi que não me largavam deixei ir mala e eles fugiram. Tinham-me saltado os óculos da cara, e foi uma senhora, que entretanto apareceu, que os encontrou debaixo de um dos carros. Vê lá tu que vinham montes de pessoas, saídas do comboio, pela rua fora e fugiu toda a gente. Depois fui apresentar queixa ao posto da GNR, que fica a uns 50 metros do local onde fui assaltado. Já sei que não serve de nada, enfim, talvez sirva para as estatísticas.
Ria-se enquanto contava estas peripécias e eu pensei que eram nervos por estar em cima do acontecimento. É então que ele explode:
- Vou tirar a licença de uso e porte de arma e comprar uma pistola!
Foi nessa altura que comecei a ficar preocupado. Como sou adepto da teoria de que a violência só gera mais violência procurei dissuadi-lo.
- Míope como tu és ainda acertas em alguém que vai a passar, ou tiram-te a pistola e levas um tiro com a tua própria arma… Tem calma.
Para desanuviar o ambiente sugeri:
- Faz o seguinte. Chegas à estação e telefonas para o posto da GNR a pedir uma escolta para te levar a casa. Diz que tens medo que os assaltantes te venham dar uns sopapos por não terem encontrado nada de valor dentro da mala.
Quando mais tarde o deixei já estava mais calmo. Pelo caminho vinha pensando no assunto e no que se poderia fazer para enfrentar situações deste tipo. Pondo de parte a violência e as milícias populares que se poderá fazer? A primeira ideia que se perfilou (desculpem o militarismo) no meu espírito, foi a de passar a transportar usualmente uma bomba com controlo remoto dentro da pasta, que eu calmamente faria explodir quando os larápios em fuga virassem a primeira esquina. Mas logo risquei essa hipótese por causa da tal não-violência que me caracteriza, e que leva algumas pessoas a classificar-me de pacifista. Talvez uma sirene electrónica também controlada à distância, bem arrumadinha num canto da mala. Não era nada mal lembrado! O gajo não deveria gostar de ser confundido com uma ambulância e largaria o produto do roubo como se lhe queimasse as mãos.
Foi, então que me lembrei dum apito.
No dia seguinte fui às compras. Corri algumas lojas até encontrar um que tivesse o som bem penetrante e sibiloso. Deve servir os meus intentos, pois quando o experimentei no quintal, os pombos que estavam num telhado a dois quarteirões de distância voaram apavorados, os cães da vizinhança começaram a ladrar e até a Micas que mora na casa em frente e é surda que nem uma porta veio à janela julgando que era a polícia.
Nesta altura já não é preciso explicar mais nada.
Agora, quando ando na rua, levo o apito na mão, pronto a usá-lo ao primeiro sinal de ataque. Se é de noite já o levo na boca de modo que à primeira cacetada desato logo a apitar. E seja o que Deus quiser!
Já lá vão mais de três semanas e ainda não vos posso informar se este método resulta pois ainda não fui atacado. Não deixarei de o fazer, pela estima que todos vocês me merecem!

António José Pereira da Mata

Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui