Usina de Letras
Usina de Letras
35 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 60367 )

Cartas ( 21289)

Contos (13387)

Cordel (10358)

Cronicas (22277)

Discursos (3194)

Ensaios - (9716)

Erótico (13520)

Frases (48257)

Humor (19555)

Infantil (4830)

Infanto Juvenil (4180)

Letras de Música (5497)

Peça de Teatro (1345)

Poesias (139372)

Redação (3119)

Roteiro de Filme ou Novela (1062)

Teses / Monologos (2438)

Textos Jurídicos (1949)

Textos Religiosos/Sermões (5812)

LEGENDAS

( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )

( ! )- Texto com Comentários

 

Nota Legal

Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Infanto_Juvenil-->A separação -- 22/01/2004 - 21:16 (MARIA PETRONILHO) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
A separação



Anselmo e Adriana tinham enfim concluído que não havia outra opção senão seguir cada um o seu rumo.

Prolongaram o sacrifício de manter um casamento de aparência por amor de Andreia... porém esta crescera, estava em plena adolescência e decerto já conseguia entender a diferença e amor e amizade.

Crescera feliz, sem suspeitar dos conflitos entre os pais.

Tudo ajustado entre eles, havia agora que encontrar a forma de dizer-lhe da resolução tomada, sem que nem a figura paterna nem materna descessem na sua consideração, pois que, pedras basilares da formação de todo o indivíduo, tanto custara aos dois manterem-se juntos, afim de que cimentarem a personalidade do ser inocente e puro que em amor deram ao mundo.

Num sábado de sossego, Anselmo sentou-se num dos cantos do sofá, baixou o som do sempre presente televisor e acenou a Andreia, que ia passando, despreocupada.

A menina sentou-se a seu lado, descontraída mas com ar inquiridor.

- O que é tu tens, pai? Que ar de preocupação é esse?

- Sabes, filha? Preciso falar contigo. De um assunto muito sério.

A menina virou-se mais para ele, cruzou uma das pernas sob o corpo e colocou-lhe a mão no braço

- Vá lá, desembucha! Que se passa?

- Filha, sinceramente, nem sei por onde começar.

- Bem, é melhor deixares-te de rodeios e ires directo ao assunto!

- Filha, sei que sei vai ser doloroso para ti, mas eu e a tua mãe resolvemos separar-nos.

- Separar-se, pai?!

- Sim, filha. Já tens onze aninhos, és uma menina inteligente e de certeza já notaste que os teus pais são bons amigos. Apenas bons amigos. E que só com amizade, não existindo amor, não podemos ser felizes.

Lágrimas afloraram aos olhos da menina, que balbuciou, o peitinho tentando conter os soluços:

- Então porque não se separam antes de eu nascer?!

- Filha, se soubéssemos que o nosso amor acabava, não teríamos casado.

Os soluços soltaram-se, as lágrimas rolaram

- E nem pensaram em mim?! Como querem que aceite ver os meus pais separados?! E a vergonha que vou sentir na escola?

E se amanhã outro homem tomar o teu lugar junto da mãe ou outra mulher ocupar junto de ti o lugar dela?!

- Entendo o que tu sentes.

Mas peço-te que entendas o nosso ponto de vista. Estamos cansados deste viver-de-faz-conta. Mantivemo-nos juntos para que crescesses com uma bonita imagem nossa. Tentámos tudo para te não dar este desgosto Agora pedimos-te que nos ajudes tu a ser mais felizes.

- Mas pai!... Porque não se separaram então quando eu era mais nova? Não teria a noção das coisas. Não me faria doer tanto este sentimento. Acharia tudo mais natural...

- Sim, isso é certo. Mas nós tudo tentámos para salvar o nosso casamento, evitar a separação.

Agora estamos cansados deste pesadelo. Há muito que o nosso amor acabou.

Porém tu és a consequência bonita desse amor que existiu e há-de existir sempre, de mim e de tua mãe, que há-de ser eterno, através do sangue que corre nas tuas veias.

A menina deixou a cabeça escorregar no peito no pai, foi a pouco aninhando-se no seu colo.

De olhos abertos no vazio, falou baixinho:

- Bem que eu sentia algo estranho! Via-vos alheios e tristes.

Nunca vos vi abraçados, a darem beijos, como nos filmes...

Acho que te percebo: se vocês se separarem poderemos ser os três mais felizes...

Anselmo não pode conter mais as lágrimas, que enfim lhe aliviavam o peito.

Abraçou a sua menina, beijava-lhe os cabelos, enquanto lhe dizia baixinho:

- Minha filhinha querida! Eu sabia que ias entender. Eu sabia que podia contigo para nos ajudares a libertar-nos deste tormento que temos vivido.

Com a tua ajuda, alcançaremos a felicidade com que tanto sonhámos!

E ficaram muito tempo, confortando-se um ao outro, no silêncio da tarde, partilhando a sorte que lhes coubera, aceitando-a por fim, mais unidos que nunca.



Releitura : Maria Petronilho




Comentarios
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui