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Contos-->A ultima gota de desespero -- 12/10/2006 - 16:10 (Andrea Fiuza) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Portas fechadas a minhas costas não me preocupam. A minha frente sim.
Já faz um bom tempo... Bom tempo? Não.
Desde a ultima esperança que se esvaiu tal qual águas escorrendo pelos dedos, a vida tem-se escondido tomando sobre si o vitupério da incapacidade. Mas será que sou realmente incapaz? Oras, penso que não. Sei do meu valor. Mas que diferença isso faz? Que diferença faz o que sei ou o que não sei? Quem quer saber? A quem pode interessar?
Amigos? Não, não tenho mais. De certo são os amigos como o dinheiro, quanto mais se tem, mais se atraí, entretanto, quando se perde um, o outro, inexplicavelmente se vai com ele.
Familia? Cada vez mais áspera. Tratam feridas com lixa em vez de gase. Mesmo em silêncio denunciam as minhas faltas. Faço me de réu por conta disso. O crime q cometi? Desemprego culposo. Sem intenção, mas meu sofrimento não serve de atenuante.
Fui preso nessa cela que outrora chamava de minha casa, meu lar. Hoje parece um cárcere privado. Privado de paz interior, privado de descanso mental, privado de compreensão, de carinho, de apoio.
Vez ou outra tomo um pouco de sol. Saio de minha cela. Fecham o portão atrás de mim e tenho por alguns instantes a sensação de liberdade. Passeio pelas ruas devagar, a final não tenho horário a cumprir, mas na verdade ainda procuro portas abertas. O que não há. Retorno derrotado ao meu cárcere e vejo a lua crescer no céu quadriculado pelas grades da janela de minha morada.
Até quando minha pena vai durar? Até quando eu vou durar? Se ao menos pudesse pagar minha pena... Pagar? Se pudesse pagar não estaria encarcerado. Liberdade tem preço. Sempre teve. Nem chego a abranger o preço da impunidade, que este não é o meu caso, apenas da liberdade de ir e vir, de transitar entre as pessoas dignificadas pela etiqueta de suas roupas, satisfeitas com o novo acessório de tunning que adquiriram para seus automóveis ou pelos “n” bens de consumo que agrega-lhes valor.
Quanto a mim, marginalizado, indigno, incapaz, um peso morto... Que me resta? A morte? Quanto custa? Uns cinco mil, talvez mais... É caro demais. Melhor trocar por 100 reais, que ao menos dá pra pagar alguma conta e talvez sobre algum pra uma garrafa de vinho barato, que não vai curar minhas mágoas, mas substituir por alguns momentos a razão dessa enxaqueca incessante.

19/10/04
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