Usina de Letras
                                                                         
Usina de Letras
44 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 59127 )

Cartas ( 21236)

Contos (13112)

Cordel (10292)

Crônicas (22195)

Discursos (3164)

Ensaios - (9439)

Erótico (13481)

Frases (46510)

Humor (19279)

Infantil (4457)

Infanto Juvenil (3725)

Letras de Música (5478)

Peça de Teatro (1337)

Poesias (138227)

Redação (3054)

Roteiro de Filme ou Novela (1060)

Teses / Monologos (2427)

Textos Jurídicos (1945)

Textos Religiosos/Sermões (5523)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Crônicas-->O violão de estimação -- 21/07/2004 - 21:39 (fernanda araújo) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. O violão de estimação

"Em 1990, fui trabalhar em Portugal, fazendo shows em várias cidades, durante 11 meses e quando voltei ao Brasil deixei por lá muitas amizades.
Em 1995, a saudade apertou e resolvi lá voltar, permanecendo 03 meses em Évora.
Uma amiga que morava em Amareleja (pequena cidade perto da Espanha), convidou-me para fazer um show em um Bar (Bagdá) – tipo Pub- com músicas brasileiras, como já havia feito alguns anos atrás.
Não podia negar este convite, mas como fui a passeio, não havia levado o violão.
Para persuadir meu amigo português, Chico Fialho, a emprestar-me o seu violão foi uma grande dificuldade, pois argumentou que ele era de grande estimação. Fora feito artesanalmente, sob medida; que nenhum dinheiro pagaria aquele instrumento ; que era parte de sua vida etc.. Depois de uma ladainha de recomendações, lá vou eu com o violão e a mochila pegar o ônibus para Amareleja, viagem que já havia feito alguns anos atrás de carro.
Ao entrar no ônibus, o motorista dirigiu-me a palavra, mas não entendi nada, não dei a devida importância, julgando ser alguma informação sem maiores pertinências.
Chegamos em uma pequena cidade ( Reguengos), onde o motorista avisou que estava na hora da baldeação , mas como estava com o fone de ouvido, não percebi o conteúdo do aviso . muitos desceram, alguns ficaram e outros entraram.
A viagem seguiu e fui, depois de um certo tempo, estranhando a paisagem; a estrada foi ficando cada vez mais estreita, passando por aldeia de lavradores. Pensei que fosse alguma variante ou algum atalho para mim desconhecido.
Mesmo assim, resolvi falar com o motorista. Ele disse que sabia que eu era um desconhecido, mas como ele dera o aviso da baldeação e eu não reagi tocou em frente. Mas prontificou-se a ajudar-me. O primeiro ônibus que passou em sentido contrário, ele fez sinal e disse ao motorista para levar-me de volta até Reguengos.
Descendo do ônibus ouvi alguém dizer lá dentro: - pelo menos este se safou! expressão usada muito pelos portugueses que significa resolveu o seu problema!
Já dentro do ônibus , fazendo o retorno, senti uma sensação muito estranha que me incomodava muito. Percebi, logo depois, que esquecera o violão de estimação dentro do outro ônibus, no bagageiro de cima !Aí eu desorientei-me; eu teria que salvá-lo a qualquer preço!
Corri ao motorista e expus minha agonia. Novamente desço do ônibus numa aldeiazinha semi-deserta chamada “Cabeça de Carneiro”. Logo saí à procura de um taxi, que naquela época em Portugal era sempre um carro de cor preta. Com a maior alegria avistei um parado à porta de uma casa. Bati na porta cheio de confiança. Uma boa senhora veio atender-me e disse:
“Ih, meu filho, este carro não anda mais faz tempo. O dono nem mora mais aqui! Mas tem um outro taxista na aldeia. O dono do bar tem um irmão que faz estas corridas.”
Sem dificuldade achei o bar, onde encontrei o proprietário servindo shopp para três lavradores.
Com o meu coração exaltado, já cheguei pedindo que pelo amor de Deus me arranjasse um taxista, porque precisava recuperar um violão esquecido no ônibus. “Só se fosse no dia seguinte, pois o mano havia viajado a serviço”. Minha desolação foi tão grande que os três lavradores entraram na conversa e se ofereceram para levar-me até ao “tesouro”. Quando dei por mim já estava em viagem com três desconhecidos. Seja o que Deus quiser, pensei quase alto!
Foi então que eles resolveram puxar prosa e contaram que também eram músicos e colocaram para tocar uma fita K-7.
Finalmente chegamos em Aljustrel, onde numa pracinha encontramos o ônibus. Mas e o motorista? Segundo as más línguas ele nestas alturas já estava na casa da filial. Lugar pequeno, as pessoas dão notícias de tudo e de todos. Ainda bem, porque foi minha salvação. Esperei o dito cujo vestir suas roupas e finalmente pus as mãos no violão que indiferente a tudo achava-se no mesmo lugar onde o havia deixado.
Para chegar a Amareleja tive que contar novamente com a boa vontade de meus três salvadores. Paguei a gasolina e depois de percorrer mais ou menos 80 km revejo minha amiga que já estava descabelando-se . Por onde eu passei não havia um telefone que eu pudesse avisá-la e ela já tinha certeza que havia ganhado um “bolo”!
Paguei whisky e um jantar para meus salvadores e fui ao trabalho. Foi uma linda noite com um show no Bar “Bagdá” da Paula!
Deus existe!"
Rodrigo - filho de Fernanda Araújo
Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui