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Poesias-->Meu Grito -- 26/06/2007 - 14:08 (CARLOS ARTUR PAULON) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
MEU GRITO

capaulon





Penso agora e pensei antes no trato feito

Por nós dois tratado, jurado, num acordo em comum.

Penso agora no acordo que se fez desfeito

Para viver uma paixão, como todas, por motivo algum.



Penso no camafeu que te fiz presente

Para que eu pudesse arrancar-te mais um sorriso

Porque a mim prometi ter-te e fazer-te sempre contente

Pisando firme, enquanto caminho a ti sem saber onde piso.



Pude então com muita calma acariciar teus pés

Procurando mais e melhor entender tua mente

Para escrever “te quero” no camafeu ao revés

Para em momento adiado dizer-te: “consente”.



Por isso querida te levei para mais distante cama

Pensando que assim agia em promessa cumprida,

Prevendo mais próximo nosso momento, mas sem drama

Pudesse eu tê-la inteira em hora de prazer vivida.



Tremi, confesso, com o teu toc-toc na porta

E me ri, confesso, daquelas ootecas benditas,

Já que o teu bendito nojo nossa promessa entorta

E assim vieste a mim em céleres passadas aflitas.



Estavas linda e úmida envolvida na azul toalha.

Eu mais do que feliz vibrava em pensar “vou tê-la”,

Imaginava seres tu minha chama ou minha mortalha,

Minha noite santa, minha tempestade ou minha estrela.



Estávamos sós, um e outro juntos e muito perto.

No meu quarto feito nosso perfeito templo à meia-luz.

E sentimos ambos, bem entendendo assim, decerto,

Chegado enfim aquele instante em que o amor seduz.







Para descobrir teu corpo fiz-me navegador

A tatear segredos em tua pele de macios caminhos,

Navegando em desconhecidos mares e com ardor

Buscar teus escondidos prazeres, buscando meus ninhos.



Quis teu corpo como um náufrago há de querer amigo amplexo,

Como há de querer em água doce saciar sua grande sede.

Então bebi teu gosto ao serenamente beijar teu sexo

E pelos mares do teu corpo quis estender minha rede.



Minhas palavras de desejo ecoavam no silêncio da tua voz,

Mas discursos de posse me soaram teus tímidos gemidos.

Pelo prazer não sabia quem era eu, nem tu, só sentia nós

Fundidos um no outro, já que estávamos um e outro unidos.



Providencial para seu galope servir eu por montaria

E estavas linda como amazona em rédeas firmes mantida.

E foi perfeita a forma de manter-me preso, senão levitaria

Antes de explodir por conta de tanta emoção contida.



Instrumentando nosso primeiro e eterno momento o meu grito,

Acompanhado em turbulenta sinfonia de tambores, sinos e banjos

Gritando um lindo “eu te amo” a ser ouvido no infinito.

E ao final, ao invés de aflito, dormi com os anjos.



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