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Poesias-->Palavras -- 16/12/2006 - 12:08 (MARIA CRISTINA DOBAL CAMPIGLIA) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


Palavras



Engulo as palavras sem entender de onde vem

e depois as cuspo.

Escravizá-las é crueldade, mas alivia.

Trazem todos os presságios da existência,

até mesmo os questionáveis.



Passam como túneis e me levam,

desesperam e me comem sem sequer me digerir,

tão somente me abraçando- e eu chamando

como num barco de pano- como em mar de papelão...

e não encontro a canção.



Parecem trens desordenados,com almas retangulares:

palavras vivas e desajeitadas, coloridas e sem cor.

Palavrinhas, palavrões - sem pudor e sem licença.

Locomovem corações, desajeitam discrições e me apontam,

como flecha, as emoções.



Resgato em filmes mentais – como arquivo - más palavras

e as enfeito como luas.

Transformadas e esquecidas, rotuladas, ficam mudas.

E na rua de barulhos com vestígios de carro

surgem todas as palavras,

como estalo- e me enlouquecem...

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