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Contos-->Ao Nascer, Somos Iguais -- 06/09/2005 - 21:27 (Domingos Oliveira Medeiros) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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NASCEMOS IGUAIS
(por Domingos Oliveira Medeiros)

Nascera como qualquer criança. Envolto em sangue, pinças e outros materiais. O cirurgião fez a desinfecção de praxe. Era um menino. Bastante chorão. Sinais de que seria manhoso ao crescer. O pai não se continha de tanta alegria. Apesar de o rosto ainda amarrotado, indecifrável, e manter os olhos fechados, a mãe e o pai o achavam lindo.

Passaram uma vista geral pelo bebê. Estava tudo normal. Os médicos balançaram com a cabeça dizendo que sim. Não havia, aparentemente, nada de anormal. E o menino e a mãe receberam alta. Em casa, começava a luta da mãe. O menino chorava muito. Mamava bastante. Até ferir o seio da mãe. Que não se importava com isso. Achava até bom, pois o leite materno é importante para o crescimento das crianças, conforme palavras que lhe foram ditas, repetidas vezes, pelos médicos e enfermeiros.

Noites sem dormir. Troca-troca de fraldas. Centenas de milhares. Urinadas e borradas. Uma indústria que trabalhava dia e noite. Que produzia choros pela madrugada. E só se calava quando o pai ou a mãe o colocava no colo. Ou nos braços do pai. Que passeava pelo quarto. Sonolento, mas com a sensação do dever cumprido. E preocupado com o dia de amanhã. Tinha que acordar cedo. Mas já estava acordado. Era só trocar de roupa e ir para o trabalho.

E assim o menino foi crescendo. Até que um dia a mãe achou que ele tinha um defeito. Sua mão era muito grande. As duas. Mais do que ela considerava normal. E conversou sobre o assunto com o marido. Que não se impressionou. Nada disso. Mãos grandes é sinal de coisa boa! Será um grande pianista. Um violonista. Um jogador de basquete. Um bom goleiro.

E a mãe acabou concordando com tudo aquilo. E o menino virou adolescente. Começava outra fase de sua vida. Não gostava de estudar. Seu negócio era passar o dia jogando conversa fora com os amigos. Ou pulando o muro da casa dos vizinhos para roubar frutas. Ou jogando bola de gude com os colegas.

Mas começava a mostrar sua verdadeira personalidade. Não sabia perder. Fazia de tudo para sempre sair ganhando nos jogos e nas brincadeiras. Soltando pipa, sempre queria colocar a sua mais longe e acima das dos outros. Tinha a mania de liderança. O que, aliás, não era de todo ruim. Não fosse sua preguiça para estudar.

Até que virou um homem, como se diz. Mas não gostava de trabalhar. Resolveu então dedicar-se a política. Parece que tinha encontrado sua verdadeira vocação. Rapidinho chegou a vereador, deputado estadual, federal e senador. Ocupou vários cargos em vários ministérios.

Hoje eu fui visitá-lo. Na cadeia. Na condição de seu amigo e de seu advogado. Mão grande, este era o seu apelido, tinha se envolvido em vários processos de corrupção. Freqüentou várias Comissões Parlamentares de Inquérito. Saiu imune de muitas delas. Mudou de partido várias vezes. Andou uns tempos licenciado. Mas, desta vez, foi pego em flagrante. Com a mão na botija. E não teve jeito. E eu nem sequer podia lhe fazer a promessa de que em breve ele estaria solto.

Ele nunca acreditou em promessas. E fizera tantas!...





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