Usina de Letras
                                                                         
Usina de Letras
209 usuários online

 

Autor Titulo Nos textos

 

Artigos ( 59060 )

Cartas ( 21235)

Contos (13083)

Cordel (10287)

Crônicas (22190)

Discursos (3163)

Ensaios - (9412)

Erótico (13484)

Frases (46422)

Humor (19255)

Infantil (4425)

Infanto Juvenil (3684)

Letras de Música (5476)

Peça de Teatro (1336)

Poesias (138173)

Redação (3049)

Roteiro de Filme ou Novela (1060)

Teses / Monologos (2427)

Textos Jurídicos (1945)

Textos Religiosos/Sermões (5503)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Cordel-->CONTRASTE -- 25/05/2012 - 17:23 (Andarilho) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
.
CONTRASTE
Silva Filho



I – REGIÃO NORTE:

Na região amazônica
Vejo aquelas palafitas
Água lambendo os pés
De pessoas mui aflitas
Que sem água morreriam
E com cheia estão “fritas”.

Gente humilde no sufoco
Palmo a palmo, todo dia
Sobe o piso, sobe tudo,
Junto com a agonia
Mas o rio não desiste
E pelas brechas espia.

A chuva passou batida
Por cima do meu sertão
Seguiu direto pro Norte
Sem mudar a direção
Levou água sem medida
Deixando só o trovão.

Os rios... incomodados
Abandonaram o leito
Circularam na cidade
Sem medo do seu Prefeito
E sem pedir permissão
Levaram tudo de eito.

Na reforma da paisagem
Não faltou demolição
E ruas com correnteza
Servem pra navegação
Sem um percurso traçado
Tem água na contramão.

Como que num arrastão
Os bichos são carregados
Jacarés, cobras, lagartos,
Foram todos despejados
E tentam nas palafitas
Ficar também hospedados.

II – REGIÃO NORDESTE:

No Nordeste... o contraste
Faz doer o coração
A chuva sumiu do céu
A água sumiu do chão
O pasto virou fumaça
A flora virou carvão.

O gado morre de sede
As aves não cantam mais
Os insetos... assustados
Já preparam funerais
Pois nesse canto do mundo
As nuvens são abismais.

O jumento não aguenta
O peso do campesino
Que vaga sem direção
Por falta de um destino
Procurando gota d’água
Como se fosse menino.

Já não tem água no pote
Pois a cacimba secou
O riacho endureceu
E o seu leito rachou
O cacto que tinha água
Alguém cortou e levou.

Agora restam os sonhos
Entre diversas ossadas
Muitas vaquinhas leiteiras
Em estátuas transformadas
Compondo grave cenário
Com as lágrimas veladas.

Somente por um milagre
Inda se fala em vida
Nesse sofrido torrão
Quase terra esquecida
Que não perde a esperança
E de Deus nunca duvida.

/aasf/
25/05/2012

Comentários

O que você achou deste texto?        Nome:     Mail:    

Comente: 
Perfil do Autor Seguidores: 1Exibido 242 vezesFale com o autor