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Infantil-->TEOBALDO E VALDICÉIA -- 10/02/2003 - 11:49 (Antonio Albino Pereira) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
. (Segundo capítulo do livro "As aventuras de Lorac"

Lorac abriu os olhos e olhou ao seu redor. Não reconheceu o lugar. Estava tão frio e uma fumaça encobria sua visão. Não enxergava além de alguns palmos à frente do nariz.

De repente caiu a ficha. Lembrou-se do que tinha acontecido; olhou em volta e não viu o cavalo. Sentiu medo. Estava dentro da floresta assombrada. Levantou-se para tentar ver melhor aquele lugar tenebroso, quieto, assustador.

Parece que o medo faz o frio aumentar. Lorac já estava rangendo os dentes, braços cruzados, o corpo todo tremendo que nem vara verde. Olhou mais uma vez, nada viu. Fechou os olhos e pensou consigo mesma: - Estou sonhando, só pode ser.

Ouviu passos, alguém estava se aproximando. Prendeu a respiração, ficou quieta, vendo o vulto caminhando em sua direção; parecia um homem, mas estava meio curvado, como se fosse corcunda; trazia algo na mão. Ela se assustou, podia ser uma arma, ele quer me pegar, deve ser algum bruxo, mágico ou coisa parecida e me quer para completar alguma poção maluca.

Pensou e quis fugir dali; virou-se e quando ia sair em disparada ouviu uma voz rouca e cansada dizer:
- Não se assuste menina, Véio Timbó só qué ti ajudá. Ela parou imediatamente, ficou estática, não acreditando.

Então existe mesmo; não é invenção de papai. Ele tá aqui, perto de mim. Meu pai diz que é um homem bom. A história dele foi contada para papai que me contou: Já faz muito tempo, ali, onde hoje é a nossa fazenda, era propriedade de um fazendeiro que insistia em manter como escravos as pessoas que ali trabalhavam. Ninguém saía da fazenda e não recebiam nada pelo trabalho. O fazendeiro lhes dava apenas comida porque precisava que ficassem fortes e agüentassem a labuta todos os dias, de sol a sol.

Os trabalhadores dormiam em colchões espalhados por um imenso galpão, sem cobertores, passando frio. Era uma vida terrível aquela que levavam.

Havia um rapaz, de mais ou menos quinze anos de idade que não aceitava aquela situação e queria acabar com a escravidão, pois, pelo que lhe contavam, em todos os lugares os trabalhadores eram pagos e tratados com respeito. Começou a espalhar suas idéias na fazenda.

O patrão, ao ouvir dos jagunços que aquele menino andava pregando a liberdade aos outros escravos, quase morreu de rir. Um rapazote desses, todo franzino, não consegue nem trabalhar direito, pois manca de uma perna, não vai conseguir nada; tenho todos sob controle, deixa esse meninote pra lá, não se preocupem com ele.

Só que o menino não era tão bobo assim e na calada da noite ia conversando com cada um dos trabalhadores: negros, brancos, índios, homens, mulheres, crianças. Ia convencendo a todos que aquilo não era vida, que deveriam se rebelar.

Tudo ia muito bem, mas, no meio deles, havia um traidor. Nesse caso, era uma traidora, uma mulher de nariz enorme e invejosa que, ouvindo os planos dos trabalhadores, na ânsia de agradar o patrão, correu a lhe contar o que estava por acontecer.

O fazendeiro ouviu toda a história, pensou e mandou chamar um velho índio que morava na fazenda. O tal índio fazia bruxarias. A traidora, cujo nome era Valdicéia, aguardava seu prêmio por ter denunciado ao patrão tudo o que tinha ouvido.

Só que o fazendeiro também não gostava de traidores, porque se eles traíam os amigos, com certeza, depois iriam traí-lo também.

O patrão malvado mandou buscar o menino rebelde, que se chamava Teobaldo. Disse ao velho índio que queria castigar os dois. A ouvir isto Valdicéia começou a chorar e a gritar:
-Esse é o prêmio que eu ganho por ter contado ao senhor tudo, por ter ajudado a salvar a fazenda? Ele é que é o culpado,disse apontando para Teobaldo. Eu não tenho nada com isso. Chorava e as lágrimas espalhavam pelo seu rosto todo e seu nariz, enorme, estava todo melado, nojento.

O patrão nem escutava e continuava a conversar com o índio para decidir qual a pena a ser aplicada aos dois. Depois de alguns minutos virou-se para Teobaldo e disse:
- Você quer a liberdade, não é? Quer andar livre por aí sem fazer nada? Então vai tê-la. Você será libertado. Tem só um detalhe: será deixado na floresta e um feitiço do velho índio vai fazer com que você nunca saia de lá. Se sair da floresta e entrar numa cidade, imediatamente você vai transformar-se num bruxo horrível, daqueles mais feios que se pode imaginar e aí vai ter que fugir da cidade senão vão matá-lo. Portanto, você, que quer liberdade, vai ficar preso para o resto da sua vida.

E para você, disse, virando-se para Valdicéia, a pena será a mesma porque o crime foi o mesmo: os dois traíram. Pode começar a magia, pagé, disse ao índio. Feita a magia os dois foram soltos na floresta, sem comida, só com a roupa do corpo.

Contam que Teobaldo, menino de bom coração, tentou ajudar Valdicéia, mas ela não quis auxílio: - Eu vou é me mandar pra cidade. Não creio nessas história de feitiço não, você é que é um negrinho bobo que acredita nessas coisas. Se quiser, fique aí porque eu vou agora para cidade arranjar um marido rico que vai cuidar de mim. Dito isto desapareceu na escuridão da floresta.

Dizem que Valdicéia chegou na cidade e meia hora depois se tornou uma bruxa tão feia, mas tão feia que o povo botou ela pra correr de lá. A delatora se embrenhou na floresta gritando por Teobaldo mas não mais o achou. Até hoje ela vive por essas bandas. Embora ninguém a tenha visto, muitos ficaram sabendo de suas maldades e feitiçarias.

Contam, ainda, que muita gente que entrou naquela floresta, nunca mais saiu, pois a bruxa cecéia, como ficou conhecida, os pegava e fazia um delicioso cozido em sua grande panela.

Quanto a Teobaldo, ele nunca quis sair da floresta pois ficou sabendo sobre a bruxa. Quem lhe contou? Os animais, pois sem ter com quem falar ele conversava com os animais. Aprendeu a língua deles, aliás, dizem que uma leoa foi quem cuidou dele quando vagava perdido pela floresta, caçando alimentos. Ela sempre o seguia e não deixava que outros animais ferozes se aproximassem do franzino rapaz.

Por que seu nome virou Timbó? Porque certo dia ele encontrou um índio e se tornaram grandes amigos. Um tentava aprender a linguagem do outro e ele dizia seu nome pro índio que sempre repetia:- Timbóóóó, Timbóóóóó. Dizem que ele nem mais sabe que seu nome é Teobaldo. Como já está velho, então tornou-se o Véio Timbó.

Agora estava ali o Véio Timbó, era verdade a história que contaram para papai e que ele me contou.
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