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Contos-->Perdido no Reino da Bicharada -- 23/04/2005 - 19:52 (Marcelo de Oliveira Souza,IWA Instagram:marceloescritor) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


PERDIDO NO REINO DA BICHARADA


Moisés era um rapaz de vinte anos, proveniente de uma família evangélica, apesar de não seguir a mesma crença, o que era significado de frustração de seus pais. Seu irmão mais velho era meio fanático e costumava até ficar nas estações de transbordo fazendo apresentações ou o que quer que seja, onde os crentes ficam vociferando para os passantes ouvirem mesmo a contragosto.
Ele tinha uma vida calma, o que mais gostava era de viajar, assim aproveitou a Semana Santa para fazer um desses passeios, saindo em excursão com sua turma do trabalho, marcando para de manhã bem cedinho seu itinerário direto para a Chapada Diamantina, chegando lá no outro dia.
Como os jovens têm energia de sobra, ao chegarem foram só tomar uma refeição super-reforçada, e cair nas trilhas, junto com os equipamentos necessários para essa aventura que ele jamais ia esquecer.
Findado os principais roteiros, a galera achou um grande e cristalino lago com águas ferruginosas, foi uma comoção geral! Todos subiram em um morro e resolveram pular de lá de cima e terminar naquele lindo e rústico espelho d’água, mas nosso amigo, não deu muita sorte ao pular, indo colidir a cabeça num rochedo, terminando em um ambiente hospitalar...
Ao acordar, a sensação de solidão pairou sobre o coração do nosso amigo; O pior foi quando ele avistou as “enfermeiras” ou pelo menos eram homens travestidos delas, que se portavam normalmente como tal, os seguranças eram mulheres troncudas e muito fortes! Todas em um traje impecável, o médico estava com um jaleco rosa, todo compenetrado, comentou que ele teve uma luxação em uma determinada parte do crânio e precisava ficar em observação.
Do outro lado, Moisés era motivo de muita curiosidade, todos o achavam deveras estranho, pelo seu comportamento, inclusive pela carteira de identidade, pois a sua coloração esverdeada era incomum, onde o correto era rosa, a cor padrão nacional do Reino da Bicharada, onde o rei era uma enorme transformista que dominava a região com mão-de-ferro, era o verdadeiro orgulho gay em pessoa, onde todos a aceitavam pela sua competência, não havia analfabetismo e nem sequer pedintes na rua, tinha o setor especializado em atender os necessitados, chamado Casa da Mãe Joana, ali todos tinham tudo para estruturar sua vida e sempre cooperavam para o desenvolvimento do reino.
Depois de recuperado, Moisés foi interrogado, pelo chefe de polícia, achando que ele era um fora da lei ou algo pernicioso ao sistema de governo. Assustado, ele fugiu, sendo perseguido por dois policiais que trajavam um uniforme todo rosa e calçavam um salto de agulha que não dá para imaginar como eles andavam, muito menos correr, mas conseguiram, contudo não alcançaram o nosso personagem, que pulou a janela e ganhou o mundo, acabando no centro da cidade.
Como ele já estava escolado, tratou se vestir como uma verdadeira Drag Quenn, para não chamar muita atenção, caminhou entre as estranhas pessoas, onde um passante percebeu que ele estava meio tonto, e perguntou:
Você está bem? Se não estiver, tem um posto de saúde lá embaixo, eu posso te levar até lá!
Ele perguntou:
- Onde estou ?
Respondeu o rapaz:
- Como assim ? Aqui é o Reino Rosa da rainha Jordana, você parece que é de outro planeta, ou pode ser algum excluído ?
- Como assim excluído ?
- - São pessoas que não se adaptaram ao mundo rosado, aquelas perigosas e violentas, que vivem na floresta proibida, onde certa vez tentaram tomar o nosso império, eclodindo a guerra das flores, onde um cientista nosso transformou geneticamente as rosas e fizeram exalar durante uma semana um gás mortal às pessoas que tinham essa deficiência de vocês, que agiam como pessoas anormais, bebiam muito e abordavam pessoas do outro sexo, onde já se viu?!
Foi aí que nosso personagem percebeu que o garoto na verdade era uma menina travestida de menino,mas ele entrou no “jogo” e se portou como um deles.
Ele chamava-se “Apolo”, ficaram amigos, assim ele pode adquirir alguns subsídios sobre a “lei” e a “ordem” daquele incrível lugar.
Um “homem” do serviço secreto percebeu a munheca dura do nosso personagem, chamando uma guarnição da tropa de choque, aparecendo vinte e quatro minutos depois na lanchonete Gaybib’s onde estavam fazendo uma refeição. Foi nesse momento que ele deu no pé, se mandou em direção à zona sul entrando em um parque metropolitano do orgulho gay, onde nem percebeu as esculturas de homens de mãos dadas e mulheres abraçadas, meteu-se no mato e a guarnição de choque em sua cola, até legião do Real Exército Rosado estava em seu encalço, desesperado, ele pulou de um precipício, indo dar com a cabeça novamente no rochedo e acordando em outro hospital.
Nesta instituição, nosso amigo deparou-se logo com uma enfermeira gorda e mal humorada, com um buço no rosto largo, que estava trocando a sua roupa com a sutilidade de um elefante, onde o ventilador fazia um barulho similar a uma britadeira, mostrando de vez as mazelas permanentes da nossa saúde, e sua turma estava toda reunida orando em sua intenção, em um cubículo que tentavam colocar a “cara” de uma capela, foi aí que ele pensou:
“ - Estou em Casa! ”

Marcelo de Oliveira Souza

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