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Cartas-->Um professor indignado com o Min.da Educação -- 11/05/2003 - 12:51 (Marcelo de Oliveira Souza,IWA Instagram:marceloescritor) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos


SALVADOR, 01 DE MAIO DE 2003


EX.MO SR. MINISTRO DA EDUCAÇÃO
RESPOSTA ÀS DECLARAÇÕES DE QUE ‘...O MENINO ESTÁ CHATO”.










ADALBERTO BORGES SOUZA JÚNIOR, brasileiro, solteiro, professor de Química(de escola pública estadual de Salvador-Bahia) e advogado, residente e domiciliado na Av. D. João VI, 02, Edf. Mirante de Brotas, Apt. 809, tel. (71)9133-1329, vem, perante V. exa., expor e requerer o seguinte:
I- Sou professor e advogado militante, principalmente na área trabalhista.
II- Minha mãe era professora e, daí, eu ter herdado dela essa intimidade com a área educacional, bem como o meu irmão.
III- Todos sabemos que, nesse País, a sociedade, gradativamente em escala ascendente, não valoriza a educação nem a retidão e a moral, com os meios de comunicação passando péssimos exemplos aos nossos jovens e futuros profissionais, inclusive famílias destroçadas e a criminalidade aumentando “a olhos vistos”.
IV- Diante desse quadro, vislumbra-se um dos meios para que o Brasil se desenvolva que é a educação e a sua principal alavanca é o professor, que, diariamente, debate-se com alunos despreparados e que não foram devidamente avaliados nas séries anteriores, sem nenhuma condição de prosseguir nos níveis seguintes, fruto do governo que pressiona os professores e a cultura do alunado de que “alunos de escola pública não precisam estudar, pois o governo quer que passe...”!!!!
V- Está instituído o “faz de conta” que os alunos estudam e que o aluno aprende. E quando existe um professor que deseja imprimir um ritmo mais sério, é criticado por alguns de que “se deve olhar a realidade do aluno, que são pobres e que precisam do certificado, como uns coitados”.
VI- Quando acabará este estado de coisas????
VII- E o salário dos professores que não o dignifica ??? O próprio aluno questiona e diz: “Para que estudar, professor, se o senhor mesmo que estudou ganha tão pouco??? O que o Sr. ganhou com isso??? Não estudarei e ganharei mais que o Senhor. Vou cantar em uma banda de pagode ou jogar bola que ganharei muito mais.”
VIII- Ainda existe o famigerado Curso Supletivo, Aceleração e outras denominações que empurram o aluno para séries posteriores e quando o professor de 2º grau recebe esses alunos, não conseguem assimilar o conteúdo concernente à sua série, sequer sabem as quatro operações nem conseguem ler e interpretar corretamente um texto.
IX- Então, o que queremos são jovens recém-saídos de escolas sem nenhuma condição de enfrentar o mercado de trabalho ou alunos preparados para a vida e a sociedade competitiva???
X- Deve-se acabar URGENTEMENTE esses famigerados Supletivos, pois os alunos não se motivam a estudar nas séries normais, sabendo que, caso percam o ano letivo, certamente, eles irão passar em algum supletivo sem estudar.
XI- De igual forma, deve-se, novamente, implantar-se o exame de admissão, novamente dividindo –se em primário e ginásio e, posteriormente, secundário. E a cada acesso a esses níveis, cabe um exame de admissão feito com o conteúdo mínimo nacional, elaborado e aplicado pelo MEC, para se dar maior credibilidade.
XII- Ainda, é interessante se criar turmas de reforço para alunos repetentes.
XIII- Tenho tomado conhecimento pela imprensa que V. Exa. está querendo ampliar mais um ano no 2º grau. É uma medida válida em consonância com as acima levantadas e sugeridas. Acrescente-se que o 4º ano deve ser feito NO MESMO COLÉGIO QUE O ALUNO CURSOU O 2º GRAU PARA QUE HAJA UM ESTÍMULO DE FREQUENTAR TODOS OS ANOS NA MESMA UNIDADE ESCOLAR.
XIV- Também e a mais importante das medidas, é a concessão de MELHORES SALÁRIOS PARA OS PROFESSSORES, dignificando essa profissão para que o professor não tenha que dar aulas em muitos lugares e obter maior tempo para o planejamento das aulas.
XV- Com relação às condições de ensino, acontece o seguinte:
a) Os alunos, em 1º lugar, devem estar DISPOSTOS a aprender. Quando eu fui aluno, NÃO existiam aulas chatas, pois eu gostava de estudar. Inúmeros alunos, inclusive hoje, freqüentam aulas com a maior satisfação, pois têm algum objetivo nas suas vidas.
b) Também, o alunado resiste a aulas que não sejam expositivas, onde o professor explana e os alunos ouvem. Não querem trabalhar, raciocinar, até pelos hábitos em séries anteriores que apenas são meros depósitos de
conhecimento e que não interagem com o professor. Também, às vezes, é a inibição e falta de conhecimento para poder argumentar, sem ter condições de articular uma frase de forma clara e coerente.
c) Os pais são fundamentais na educação dos filhos e devem cobrar dos seus filhos assiduidade, respeito aos colegas e o corpo de professores e diretivos da escola.
d) O hábito de leitura deve ser desenvolvido nos alunos. Esse objetivo é atingido com a maior disponibilidade de livros nas bibliotecas, ampliação de salas de leituras principalmente nos Municípios do interior do País.
e) Os Colégios, ainda, NÃO têm um quadro de apoio aos professores, onde, antigamente, existia a “censora”, que, por exemplo, retirava alunos dos corredores que incomodavam as aulas, além de outras atividades de suporte.
f) Os recursos educacionais são limitados. Como exemplo, inúmeros Colégios têm xerox, mas com uso limitado; computadores existem, mas que não dispõem de técnicos para acompanhar o professor; material de laboratório insuficiente, bem como , de igual forma, NÃO há pessoal de apoio e nem reagentes químicos necessários; existência de um só televisor e um vídeo para Colégios de grande porte, tornando tais recursos indisponíveis para a maioria dos professores.
g) Pouco tempo reservado aos professores para o planejamento de aulas, inclusive devendo ter professores específicos para aulas práticas.
XVI- Ainda quanto aos alunos, mesmo com tantos recursos, muitos deles chegam a dizer, nas aulas com recursos do computador: “Eu queria bater papo no chat, olhar mulheres nuas, jogos de guerra...”. Isso decepciona os professores que se esforçaram tanto em planejar uma aula, como exemplo, utilizando recursos de power point sobre tabela periódica. Porém, outros tantos gostam. E isso demonstra que o professor nunca irá poder agradar a todos alunos e que ainda há esperança de que este quadro mude.
XVII- A violência nas escolas onde o próprio corpo diretivo e professores tem medo dos alunos, e que as autoridades competentes os deixam à mercê, inúmeras vezes, de marginais, estando trabalhando, inclusive, em áreas de grande risco, gerando uma total insegurança e um ambiente desfavorável para a devida atuação dos professores no cumprimento do seu dever.
XVIII- As drogas nas escolas devem ser coibidas e é fato notório que o governo em todas as esferas deve tomar providências duras quanto a isso, infiltrando agentes nos estabelecimentos de ensino para desarticular os traficantes.
XIX- Uma situação especial que V. Exa. precisa resolver e URGENTE,são os alunos do turno noturno. Essa situação é, ainda, mais dramática e resumidamente ocorre o seguinte:
a) Os alunos já chegam com inúmeros vícios que só foram aprovados em supletivos.
b) Há inclusive Estados da União Federativa que proíbem a reprovação.
c) Alunos que só querem o Certificado para terem acesso a um emprego sem exigir um real incremento e acréscimo nos seus conhecimentos.
d) Superlotação em salas de aula.
e) Ambientes, inclusive no diurno, que são abafados e mal projetados para ocorrerem aulas.
f) Carteiras quebradas.
g) A maioria dos alunos trabalham em jornadas extenuantes e não conseguem o desempenho satisfatório quando estão em salas de aula.
h) Muitos tem “pena” dos alunos e criticam os professores que os reprovam.Agora, indaga-se: Se forem tais alunos aprovados sem merecimento, será que não estaremos os prejudicando no restante de suas vidas, iludindo-os???? Qual a contribuição daremos a esses alunos agindo dessa forma??? Não estaremos colaborando com o “status quo”, privando o alunado pobre de ascender na sociedade???? Claro, como já foi dito, que tudo isso explicitado existem aqueles que não agem dessa forma, dignificando o ensino.
XX- E o que os professores estão fazendo para melhorar as aulas? A grande maioria estão tomando cursos, inclusive de computação voltado para a área educacional proporcionado pelo Governo, como aulas ministradas com recursos eletrônicos.
XXI- Também é inegável os esforços das autoridades na melhoria da qualidade de ensino em conjunto com o corpo diretivo dos Colégios e seus Coordenadores em conjunto com os professores, como a implantação de temas transversais, feiras de ciências, prêmios de redação, etc.. que, porém, ainda são insuficientes.
Concluindo, é necessário o esforço de TODOS, não só de professores, para que o ensino seja a válvula de ignição do motor de explosão do desenvolvimento nacional, sendo a sociedade, em todos os seus segmentos, co-responsáveis pela obtenção da melhoria da educação em nosso País.

Atenciosamente,


Adalberto Borges Souza Júnior
Professor de Química

* A carta reflete toda a indignação de um profissional em educação, refletindo os anseios e as decepões da categoria, diante de tanta agrura e dificuldade para exercer dignamente o dom que Deus lhe deu, o mais nobre e lindo, aquele de passar seus conhecimentos para os outros, pois o conhecimento não tem valor, não se compra, se doa, com muito suor e esforço.
Por isso, a nossa profissão deveria ser a mais reconhecida e valorizada, porque através dela surgem todas as outras profissões.

Marcelo de Oliveira Souza
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