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Poesias-->NO FUNDO DO POÇO -- 31/01/2000 - 21:44 (antonio temoteo dos anjos sobrinho) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
NO FUNDO DO POÇO





“E comecei a definir, na boca induvidoso gosto:


de urina e merda.” Haroldo Maranhão, As Peles


Frias, p.13.








Faz pouco tempo, o coração batia,


forte pulsava cheio de ternura,


a todo tempo, infindo, noite e dia


buscava em teu amor paz e ventura,





até que descobri, por ironia,


o que no coração fez-lhe a amargura:


Avara por dinheiro e fantasia,


viver sem fantasia era u’a tortura.





E assim, no vai-da-valsa e da vaidade


meteu a mão sem dó e sem piedade,


botou-me a corda e o laço no pescoço.





Depois de chupar o osso da carcaça


levou de resto as sobras da devassa


e o seu caráter p’ra o fundo do poço.


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