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Contos-->A Minha Amiga Jandira -- 17/04/2004 - 16:44 (Marcelo de Oliveira Souza,IWA Instagram:marceloescritor) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
Minha Amiga Jandira





Toda criança sempre sonha em ter uma bicicleta, pois é um tipo de veículo que as fascina pela sensação de liberdade que ele proporciona.

Assim quando o meu irmão mais velho recebeu de presente uma, foi a maior alegria, como eu ainda era muito pequeno, só cabia a mim sentar na “ponga” e aproveitar a viagem, o que não era tão legal para ele, pois tinha que pedalar em dobro, e para acompanhar os colegas ficava muito difícil, mas eu não o largava, só queria ir junto para apreciar as aventuras pueris.

Quando passávamos o verão em Itaparica então, era uma coqueluche, grupos e mais grupos na “magrela” onde formavam-se turmas, paqueras e muita diversão à solta.

Uma certa noite, meu irmão saiu escondido para encontrar a turma ficando eu desesperado por não ter ido, um tempo depois chega ele carregado, porque tinha subido o meio fio indo terminar no chão, numa dessas peripécias de criança.

Logo, logo chegou a minha vez de ganhar uma, o que foi muito legal, contudo para aprender deu uma mão de obra, meu pai segurava atrás para tentar me equilibrar, mas nada, o tempo foi passando e aos poucos eu fui aprendendo, até que um certo dia consegui sair pedalando pelas ruas desta cidade-verão, mas não era fácil, porque sempre havia algo para levar uma queda, os primeiros dias chegava a levar cinquenta quedas.

Teve uma vez que uma gorda me atropelou, isso mesmo! Porque quando estava passando me bati com ela, ela ficando em pé e eu caí, sendo socorrido por esta senhora que se chamava Jandira, que sempre lembra do fato, fazendo assim uma boa amizade, foi quando comecei a chamar minha bicicleta de Jandira, o que tornou um fato até engraçado, pois foi uma homenagem que fiz à sua pessoa.

Assim eu já participava das turmas de bicicleta junto com meu irmão, andávamos a cidade toda, sempre procurando novas aventuras.

Quando voltava para Salvador, Jandira vinha no porta-malas toda dobradinha, e sempre que mencionava o nome da minha amiga, gerava uma confusão, ou pelo menos uma curiosidade.

Jandira envelheceu e terminou enferrujada no canto, pois os outros modelos eram bem melhores, mas depois de grande só ficou na lembrança das duas Jandiras, pois a nativa de Itaparica morreu e a minha, nem sei onde está hoje.







Marcelo de Oliveira Souza,iwa

Do Livro Conto & Reconto



















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