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Cordel-->UM CABÔCO EM PARIS -- 30/08/2007 - 11:37 (ZÉ CEARÁ) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
É meu pedaço de chão
Daquela serra prá cá
Mas sou cabôco faceiro
Num nasci prá me escorá

Eu só vejo os avião
A zoada é de lascar
É os galêgo voando
Vindo de todo lugar

Passa a Xuxa e a Madona
O Pelé e o Maradona
Se os outro faz sucesso
Por que Eu num posso tentá?

Eu nasci cá no sertão
Não nego meu nascedouro
Mas não invejo as madame
Dos pescoço chei de ouro

Mané voltou de São Paulo
Trouxe um jornal de Paris
As letra era só garrancho
Ninguém sabia o que diz

O tal de Paris existe
Eu vi na televisão
Teve um tal 14 Bis
Teve inté revolução

Eu vi dizer que Paris
É o mió lugar do mundo
Mas cuma pode um cabôco
Pensar assim tão profundo?

Voar num bicho daquele
É caro que só a peste
Se eu for muntado num jegue
É um mês só de Nordeste

Um cabra que só vê Jeca
Sanfona, briga e zoada
E os vaqueiro se arranhando
Na festa de vaquejada

Olhar aquelas galega
Passeando, perfumada
Cum as caçola de seda
Umas tanguinha de nada

Mas escrevi pro gunverno
Que é quem mais tem dinheiro
Dizendo as minhas vaidade
De morar no estrangeiro

Uma roça de feijão
Lá na terra dos francês
Era roupa pros meninos
Feira certa todo mês

O gunverno arrespostou
Mandando eu me aprontá
Ia simbora prá frança
Baseado numa tá
Duma troca culturá

Ia ensinar pros francês
O linguajar do sertão
Falando de rapadura,
Ingá, farinha e jibão
E tocando na sanfona
As moda do Gonzagão

Chegando no Aeroporto
Comecei logo a tremer
Aquele avião traquino
Fazia o vento gemer

Uma cabôca arrombava
De cachaça os passageiro
Moça, me dá uma pinga
E pode anotá na conta
Do gunverno brasileiro

Fui andar pela cidade
Desparecer meu tormento
O povo não parecia
Se importar com meu lamento
Sem ver o galo cantando
O bode, a vaca e o jumento

Nas vitrina das bodega
As galega bem faceira
Exposta qui nem farinha
Na feira da Gameleira
Se o gunverno autorizasse
Eu criava essas bichinha
Cum rapa de macaxeira

Tem a tal da Torre Eiffel
Alta qui nem um carvalho
Um monumento de ferro
Um pé de coco sem galho
Elevado ao infinito
Pau de sebo do futuro
Subindo ao céu sem atalho

Tem capim bem aparado
Tem carro lavando a rua
É feito uma noiva nua
Sujeira a gente não vê
O que só vi na TV
É realidade crua

Nas Europa não tem seca
O povo vive em fartura
As comida são moderna
Tem carinho e tem candura
Mas não tem o sustentado
Dum taco de rapadura

Peguei logo na sanfona
Agora eu vou aprontá
Esse povo agalegado
Vai parar prá me escutá
Vou mostrar prá essa gente
As modinha dos xaxado
Das banda do Ceará

Cumecei com Asa Branca
O hino do meu sertão
A multidão foi chegando
Os pés saindo do chão
Como numa fantasia
Inundando de harmonia
Alegrando a multidão

Depois toquei Assum Preto
Sivuca, Jacksom, Assisão
E quanto mais eu tocava
A fantasia aumentava
O mundo virou canção

E Eu no meio da roda
Tava sem nada entender
Porque o povo parava
Esquecia os seus dever
Prá ouvir as melodia
De um povo tão sofrido
Que mal tinha o que comer

Fiz sucesso, ganhei fama
Onde andava era um estouro
Desfilei no Sacré Qué
Teve inté disco de ouro

Nos cafés lá de Paris
Inda hoje é falação
As lembrança do cabôco
Chapéu de couro e jibão
Da sanfona enfeitiçada
Da terra de Lampião

Já passado muitos ano
Que Eu fui prás terra estranha
Eu penso em vortá um dia
Prá Paris ou Alemanha

Dessa vez levo a enxada
Prá trabaiar pros doutor
O Padim Ciço de lado
Atrepado num andor
Vou morar lá com Maria
Muié de noite e de dia
Cabôca dos meus amor
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