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Cordel-->UM TRAVESTI NO SERTÃO -- 27/08/2007 - 11:26 (ZÉ CEARÁ) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
No sertão tem muié bela
Cabra que usa facão
Os home vão pro roçado
As muié vão pro fogão

No sertão a bala avoa
Na latada do forró
E o home que num namora
Os cabra manda ir simbora
Procurá outro xodó

No sertão o cabra é macho
E a muié feminina
Num tem esse cambalacho
De home cum a voz fina

Mas num dia de sol quente
Casamento de Rosinha
Apareceu o diacho
Na forma duma bichinha

Parecida cum a Xuxa
Num vistido cor lilás
A paquita do Exu
Que redimiu satanás

A dama, além de formosa
Era bizarra e faceira
Dançava rodando a saia
Em torno duma fogueira

Foi pro lado de Juvino
Toda dançando, ligeira
no coitado do matuto
Bateu logo a tremedeira

Depois dançou com Calixto,
Zé Bento, Joca e Mané
Dançou inté cum Tonico
Que era aleijado dum pé

Dançou, bebeu, encantou
Os cabra daquela terra
Parecia Lady Dy
Princesa da Inglaterra

O coroné Virgulino
Quando viu se apaixonou
Botou logo o mió terno
E todo se embonecou

Entrou todo satisfeito
Na latada do forró
Foi dançá com a danada
Que as perna dava um nó

O coroné pensou logo
Acabou o meu tormento
Foi logo propondo à dama
Era amor prá casamento

Quando acabô o forró
Levou a danada imbora
Apregada a tiracolo
Num via chegar a hora

Deitaram logo na cama
E começou o xodó
Era o maior rela-buxo
Por debaixo dos lençó

Jogou fora o paletó
Ela atirou o vestido
E disse: mais devagar
Somente quando Eu casar
Eu dou o meu perseguido

Mas o coroné, matreiro
Fungando feito um tarado
Ciscando que nem um gola
Deixou, num piscar de olho
A moça só de caçola

O coroné foi descendo
Ela obrigou a brecar
Só libero a bacurinha
Quando o padre autorizar

Ele de tanto tentar
Já tava desconfiado
Que butija escondida
Que bombom mais embruiado

O coroné tava doido
Depois de tanta esfregada
Deu um puxão na tanguinha
Deixou a muié pelada

Preparou prá dar o bote
Vou devorar essa preza
Mas parou, estatelado
Com aquela malvadeza

Invés da felicidade
Que a noite prometeu
O negócio da comadre
Era maior que o seu

Ao invés da tênue relva
De leve e pura beleza
Tava deitado cum macho
Na maió das safadeza

Puxou logo da peixeira
Começou a fumaçá
Te cuida cabra safado
Agora o pau vai cantá

Ela disse: coroné
Os tempo tão diferente
Esquece os teus preconceito
E vamo tocá prá frente

Se já tá tudo mudado
Se o juízo tá nas venta
Se são direitos iguais
Então que é que tem demais
Sê igual as ferramenta?

Coroné jogou a faca
Sartou fora o capeta
O diabo é quem fica aqui
O coronel é careta

O macho-e-fêmea escapou
Corria que só jumento
Tão querendo me aleijar
Tirar os meus documento

Vou me embora prá cidade
Num vorto mais pro sertão
Aqui a prosa é concreta
Não tem aduvinhação

Prás cabôca bem faceira
Tem festa, amor e baião
Mas pros cabra afeminado
Vestindo saia e tarado
Só foice, bala e facão
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