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Artigos-->Governo fascicomunista no Rio Grande - III -- 30/07/2002 - 15:29 (Félix Maier) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Os ataques começaram contra dois jornalistas do "Zero Hora", que foram processados. Depois foi a vez do catedrático Giusti Tavares ser processado pela corja fascicomunista que se instalou no RS, por conta do livro "Totalitarismo tardio - o caso do PT, em que desnuda a fraude do badalado "orçamento participativo". Agora chegou a vez do filósofo Denis Rosenfeld sentir o peso da botina fidel-farc-messetê-fascicomunista do PT.



Abaixo, dois textos sobre Rosenfeld, um que o defende, outro que o ataca. Tirem suas conclusões.



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"Prezados(as) Amigos(as)



Ontem recebi por e-mail um artigo do cineasta Jorge Furtado. Como julguei que deveria respondê-lo rapidamente, tendo em vista de que se trata de um movimento para desqualificar o filósofo Denis Rosenfeld, acabei por fazê-lo com erros e imprecisões. Faz um mês o PT resolveu desqualificar o Denis. Primeiro colocou o vice-governador para atacá-lo. Agora, utiliza-se de um patrimônio gaúcho, como Jorge Furtado.



Independente de opções políticas, creio que devemos preservar nosso patrimônios intelectuais, culturais, etc. Peço, por isso, que meu artigo seja reproduzido para a lista de e-mail de cada um. Segue, junto, o artigo do Jorge Furtado.



Abraços



Plinio Zalewski



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SOBRE O JORGE POLÍTICO E O CINEASTA FURTADO



Plinio Zalewski



Aprendi a admirar Jorge Furtado com Ilha das Flores. No curta que percorreu o mundo e acumulou prêmios, a miséria e indignidade de um ponto esquecido do nosso Estado globalizou-se. Ainda hoje, não há como não lembrar do cineasta gaúcho, quando passamos os olhos pelas imagens da TV ou fotos dos jornais e que nos deprimem com as cenas dos mais de trinta milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da miséria. Não há dúvida de que Jorge Furtado construiu uma obra que o define como cineasta, naquela acepção do Aurélio : "pessoa que exerce atividade criadora e técnica elaborada com o cinema." Mais do que isso, o definiria como o "maior cineasta gaúcho de todos os tempos".



Com todo este prestígio acumulado na área do cinema, Furtado poderia ter nos poupado do artigo Filosofia e Política, onde, sabe-se lá porque razão, faz uma aposta num jogo que não conhece e onde, é preciso que alguém o alerte, muitos escritores, pintores, poetas e até mesmo cineastas, perderam sua credibilidade, quando não, desmoralizados, deram fim à própria vida. Deve ele conhecer as controvérsias sobre o passado nazista de Heidegger, a conivência totalitária de Sartre , o fim de Maiakowski ou, ainda, os pesadelos do cineasta russo Eisenstein. O que os uniu, com efeito, foi o sacrifício da independência artística em nome de uma ideologia que, como tal, esconde mais a verdade do que a procura.



É preciso que o cineasta Furtado deixe a política com os políticos, sob pena que os porcos de Ilha das Flores se voltem contra seu patrocinador e produzam uma nova Revolução dos Bichos Orwelliana. Pois o que o político Furtado quer esconder , o cineasta já exemplificou há muitos anos e nos serve de guia para avaliações. Falo do grau de miséria cultural, ideológica, social a que foi submetido o RS nos últimos quatro anos e que tem produzido, em contrapartida, um "lucro" partidário nunca visto por nossas "ilhas."

Quem tem dúvida de que as promessas de campanha do PT não foram cumpridas no RS? Qual a controvérsia sobre o papel que Diógenes cumpriu no escândalo do Clube da Cidadania? O que falta para comprovar a fúria do atual governo contra a liberdade de opinião? As respostas para estas perguntas podem ser encontradas não só nas pesquisas sobre o pleito de outubro, mas também na conformação de uma opinião pública radicalmente contrária ao PT e que salta aos olhos nas ruas de qualquer município deste estado.



O professor Denis Rosenfeld - alvo do artigo Filosofia e Política - se o político Furtado não tem conhecimento - foi um simpatizante do PT. Quando recebia deputados e intelectuais do PT em sua casa e albergava filósofos como Cornelius Castoriadis não era motivo de uma campanha difamatória tão grande dos artistas realistas de nossa cidade. O que aconteceu? Aliás, o que tem acontecido com parcelas expressivas da intelectualidade de Porto Alegre que têm tomado a atitude de se organizar para resistir às características hegemonistas do PT e denunciar seu autoritarismo? Por outro lado, que processo foi esse que levou, nos últimos anos, muitos artistas portoalegrenses a se subordinarem à agenda política petista, tal qual funcionários culturais aristocráticos, sem criatividade e dependentes de recursos públicos? Denis Rosenfeld, com certeza, deve incomodar muito, quem sabe até ameaçar a estabilidade desta burocracia cultural, exercendo, apenas, a qualidade da sua opinião.



A verdade é que o Jorge Furtado de Filosofia e Política não é o mesmo de Ilha das Flores. O Jorge político, indiscutivelmente, cumpriu sua missão com disciplina : utilizou a imagem do cineasta para responder a um intelectual renomado, como Denis Rosenfeld, de acordo com os argumentos traçados pelo Partido dos Trabalhadores e seu governo no RS, de forma a influenciar a parcela média da população do estado, o que, talvez, tenha algum sucesso, "tarefa" fundamental no momento em que a candidatura Tarso Genro declina.



E quanto ao cineasta? Fica a dúvida....não só sobre os sentimentos complexos que deverão afligi-lo , mas sobretudo sobre os pré-conceitos que passarão a acompanhar sua obra. Afinal, nunca seu público saberá se estará lidando com arte ou com proselitismo político; com o Furtado cineasta ou com o Jorge militonto.



Seu consolo talvez venha a ser o culto à sua personalidade , tal qual Diógenes sendo recebido como herói pela militância petista no Instituto do Coração, após cumprir a tarefa de assumir sozinho as culpas do Clube da Cidadania, na CPI da Segurança Pública. Enquanto isso, na intimidade do cineasta Furtado, continuará pesando o fato da Ilha das Flores continuar mergulhada na miséria, embora Filosofia e Política tenha esquecido disso e o PT governe Porto Alegre há 14 anos. Mas os grandes artistas são assim....quando cumprem tarefas políticas a consciência os inferniza, pois está habituada a criar e não a reproduzir. Para o bem do cinema, espero que Furtado salve-se do político Jorge."



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"FILOSOFIA E POLÍTICA



Jorge Furtado



Informa o dicionário Houaiss que a filosofia é, entre outras definições possíveis, "a investigação da dimensão essencial e ontológica do mundo real, ultrapassando a mera opinião irrefletida do senso comum que se mantém cativa da realidade empírica e das aparências sensíveis". A política por sua vez seria, também entre outras acepções, "orientação ou método político e, por extensão, série de medidas para a obtenção de um fim", ou ainda "a arte de guiar ou influenciar o modo de governo pela organização de um partido, pela influência da opinião pública, pela aliciação de eleitores, etc." De um político pode se esperar, portanto, argumentos que sustentem uma visão "orientada" da realidade, capazes de seduzir eventuais eleitores ou de influenciar a opinião pública na direção de "um fim". De um filósofo, resistente às paixões partidárias e eleitorais onde se perdoam as hipérboles, seria de se esperar argumentos que ultrapassassem o senso comum. Não é o que vemos na argumentação do filósofo Denis Rosenfield em freqüentes matérias jornalísticas ou textos assinados.



Quando Rosenfield aconselha o PT a governar, "pois nada mais fez que vociferar", ou quando afirma que o "procedimento padrão" do PT seria "processar na Justiça todo aquele que criticava o atual governo estadual", usa argumentos que não ultrapassam e nem mesmo alcançam o senso comum. Se o PT nada mais tivesse feito que vociferar é pouco provável que a economia do estado tivesse crescido 11% em três anos, um número que ganha significado não apenas por estar acima da média nacional mas, principalmente, quando em comparação ao crescimento de 0,8% nos quatro anos do governo anterior (os dados são do IBGE). Se o PT tivesse processado "todo aquele" que o criticava, faltariam advogados e juizes no estado. Exageros de linguagem geralmente encobrem a fragilidade do raciocínio. Recorrer à justiça contra o que se julga ser uma ofensa pessoal à honra, causada pela opinião publicada de um jornalista é, e espero que continue sendo, um direito de qualquer cidadão numa sociedade democrática. Não vejo como isso possa ser associado a um governo "totalitário".



Rosenfield cita ainda uma série de "traços de um movimento totalitário" que estariam em curso no estado, repetindo alguns clichês que parte da mídia se esforça em tornar verdades inquestionáveis, como "a impunidade do MST no campo" ou "a afinidade com as Farc" (seja lá o que isso signifique). E inclui no rol "a triangulação Diógenes de Oliveira, Clube de Seguros da Cidadania, PT e a contravenção" e ainda "a falta de segurança". A única relação possível entre os pontos da lista é o fato de serem pauta da oposição estadual.



A criminalidade no Brasil é uma tragédia com números assustadores: 47 mil pessoas são assassinadas por ano, cifra que ultrapassa em muito a maioria das guerras em curso no planeta. É um problema terrível e um assunto de grande impacto na mídia. Não sei se a realidade dos números relativos à segurança pública no Rio Grande do Sul (homicídios, assaltos, etc.) confirma ou desmente a tese de que há também aqui um aumento da criminalidade. Até imagino que sim, se considerarmos a realidade nacional na qual o estado se inclui. Posso imaginar que os altos índices de desemprego, o avanço do poder do crime organizado decorrente da ausência do estado como garantidor das condições mínimas de uma vida em sociedade (entre elas, a segurança pública) estejam relacionados com uma criminalidade crescente. Mas não vejo como classificar a "falta de segurança" como "traço de um movimento totalitário". Ao contrário. Governos totalitários, como os implantados na Alemanha nazista ou na Espanha de Franco, nas ditaduras do Brasil, Argentina, Indonésia, China ou Cuba, ou mesmo na teocracia dos talibãs no Afeganistão, costumam reduzir a criminalidade comum. No Complexo do Alemão, favela carioca comandada pelo autoritarismo armado do tráfico, não há roubos nem grades nas janelas pelo simples fato de que lá os crimes de assalto são punidos com a morte. O aumento da criminalidade, quando há e se há, é um fato sério. "Falta de segurança" não chega nem mesmo a ser um fato. É um sentimento, embora justificável, claramente pertencente ao campo da "opinião irrefletida do senso comum que se mantém cativa da realidade empírica e das aparências sensíveis".



O desapego à filosofia avança quando Rosenfield apresenta como traço de um movimento totalitário "a triangulação Diógenes de Oliveira, Clube de Seguros da Cidadania, PT e a contravenção". Além da imprecisão geométrica (quatro pontos sugerem um quadrilátero e não um triângulo), não há como relacionar a corrupção, se há e quando há, com totalitarismo. Os recentes escândalos da economia americana são apenas mais um exemplo de que a corrupção pode existir em qualquer regime político e só se torna pública e passível de investigação e punição nas democracias.



O caráter político-eleitoral da argumentação de Rosenfield mais se evidencia quando ele limita suas críticas ao território estadual. Nada há em seus textos sobre a violência crescente no país, o brutal endividamento do estado brasileiro, o risível crescimento econômico ou o fracasso do governo FHC na tentativa de reduzir a desigualdade social. Não há menções aos escândalos da privatização, nem às sistemáticas tentativas do governo federal de impedir a investigação sobre o caixa dois das suas campanhas. Rosenfield protesta contra "a ideologização e partidarização da Brigada Militar" mas silencia sobre as crescentes evidências do uso da polícia federal para investigar candidatos de oposição, isto sim um traço perigoso e inequívoco dos governos totalitários.



Em um estado democrático qualquer cidadão, filósofo, político, jornalista ou cineasta, tem o direito de expor e defender publicamente suas opiniões. E qualquer cidadão que se sentir ofendido tem o direito de recorrer à justiça. Em um estado democrático a defesa de posições políticas é sempre saudável. Que esta defesa desperte paixões e recorra freqüentemente a exageros de linguagem, é compreensível. É saudável, é compreensível mas, desculpe, não é filosofia."



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