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Contos-->Carmelo, l emigrazione e il carnavale... -- 01/03/2004 - 05:52 (Georgina Albuquerque) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
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Ao desembarcar do navio, proveniente do sul da Itália, Carmelo respirou fundo. Os seus pulmões estavam prestes a explodir. Chegaram, ele e sua mãe, ao destino: uma terra ampla, distinta da que imaginara em seus folguedos nos trigais. O movimento era intenso e os corpos estavam  suados. Sob a camisa, a regata grudava-se à pele num fevereiro a todo vapor.

A chegada previa o pleno Carnaval de 1960. Feliz pelas prováveis benesses da mudança de ares, trazia consigo a certeza de que o seu pai gozava de poder entre os índios, c/ direito ao gozo de uma vida rica e confortável. Carmelo com seus cabelos encaracolados e finos, a pele branquinha a emoldurar-lhe uma excessiva e ressabiada timidez. Ele e o seu enorme desejo de conhecer o pai, ausente da cidadezinha desde todo o sempre de sua vida.

No entanto, o coração acelerado estranhava o rumo dos acontecimentos. O porto onde atracaram diferia daquele para onde era remetido nas noites frias da província. Onde estavam a nudez dos índios, a mata e os animais exóticos? A mãe pôs-se a acenar com movimentos de braço, tão agigantados quanto aquilo tudo que o rodeava. Avançou com ele para frente, rumo a um ruidoso grupo que clamava-lhes pelos apelidos. Cortaram a confusão do cais, vindo a esbarrar-se pelas pessoas até chegarem próximo aos que os recepcionavam. Passaram todos então a apertar-lhe as bochechas e despentear-lhe os cabelos, o cheiro ácido de suor agravando-lhe o enjôo do estômago.

Em seguida, alguém apontou para um desconhecido e sentenciou: "– Parla con tuo papà, guagliò!". Carmelo arregalou os olhos: – Mas então era aquele o grande herói? O homem que julgava mais onipotente e ameaçador do que o Frei Domenico, substituto supremo dos chefes de família que emigraram para a América?

Dirigiu-se com a mãe para um veículo que os levou à nova casa, no bairro carioca da Tijuca. Daquele momento em diante, as lembranças de Carmelo sofreriam metamorfoses impiedosas e tornariam-se cada vez mais esmaecidas. A primeira ausência da cidadezinha para o exame de Admissão em Campagna, o frio intenso dos primos na enorme cama compartilhada, o exotismo associado à banana recém-chegada da América, as cerejas e uvas abundantes e as procisssões. Mais do que isso, seria estabelecido a partir daí um corte em sua identidade, os seus dez anos desenvolvendo uma dimensão corpórea até então estranha para ele. Objetos desconhecidos, parentes idem e o colorido das roupas dos "brasiliani" contrastando com os tradicionais véus negros das "nonas" enlutadas na antiga aldeia.

Progressivamente, absorvidos um pouco mais os impactos culturais, passou a cultivar em silêncio o apelo que a nudez tropical exercia sobre os seus hormônios, adentrado que já estava pela fase da puberdade. Nas noites insones subseqüentes, alternando-se entre o prazer e a abstenção da carne que o Deus do Frei Domenico impunha, pôde fundamentar então a sua idéia sobre o "carnaval", intuindo e alcançando toda a sua etimologia...





























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