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Contos-->NO CAIS -- 20/02/2004 - 10:58 (Edmar Guedes Corrêa****) Siga o Autor Destaque este autor Destaque este Texto Envie Outros Textos
NO CAIS

Penseroso, enfadado, Brasílio Siqueira errava pela rua do Cais, com as mãos nos bolsos, no interior dos quais jaziam algumas notas de Reais e um par de camisinhas. Seu pulôver cinza, a grácil calça marrom denotavam alguém de consideráveis posses.
Estacando, sondou a nova e seminua prostituta recostada a velha porta de madeira ao aguardo de que algum passante requestasse seus préstimos. Fitou-a com minudências. A vulgaridade em exagero desagradou-o. Estava enfarado, mas não era homem de aceitar qualquer coisa. Sutileza, gosto apurado faziam parte de seu estilo de vida.
Prosseguiu meditativamente. Decerto encontraria algo melhor adiante. Passou por outra. Desesperança, desalento, desânimo, denotava sua fisionomia. Sobranceiro atirou-lhe um curto olhar. Desgostou-se. Com meneios de cabeça deu prosseguimento a sua impetuosa busca. Um assopro da fresca brisa aflorou-lhe o prostrado semblante. Cogitou em desistir, mas um calor enleante o fez mudar de idéia. "Também não sei para que fui vestir esse casaco sem manga! Esta fazendo um calor dos diabos!". Continuou.
A que ponto degradante é capaz de chegar o ser humano? Essas mulheres! Quanta asquerosidade! Será que não se encontra uma prostituta com um mínimo de dignidade? Fez reflexões.
Passos adiante, ele deparou com uma portinhola entreaberta. Duas prostitutas palestravam atentas ao movimento de pedestres.
De aspecto menos sombroso, vulgaridade pouco patente, cessaram o colóquio volvendo a atenção em sua direção. Um sorriso amarelo distendeu os rubros e borrados lábios. Ofereceram seus Serviços.
Sem titubear, ele os recusou. Ainda não eram o que estava a procurar. Curioso, adentrou a portinhola. Após um longo corredor, deparou com um amplo salão. Sombrio, não se discernia facilmente a fisionomia dos presentes. Homens de diferidas idades, estaturas, aparências e níveis sociais eram vistos assentados à volta de velhas mesas de carvalho. Sobre as quais, sem distinção, jaziam cheios, pela metade ou vazios copos de cerveja. A fumaça de cigarro e o ambiente fechado, tornavam aquele salão por demais lôbrego. Ouvia-se o entabular de conversas incompreensíveis. Prostitutas quase desnudas eram vistas meneando os quadris pelas mesas. Outras, num júbilo aparente, animando-se em ser amáveis, sentadas no colo de seus pares, amimava-os com o perpassar das costas dos dedos e com rápidos beijos nos pômulos.
Uma mesa desocupada ao fundo, com duas cadeiras, chamou-lhe a atenção. Trepidante, avançou. Puxou a cadeira e sentou-se. Não sabia ao certo se ali encontraria o que procurava. Afadigado, perdera o ânimo de continuar perambulando.
Bem não havia sentado, uma garçonete veio-lhe oferecer uma cerveja. Cortesmente aceitou.
Ao passo que sorvia em lentos goles a cerveja, percorria os olhos pelo salão a procura de alguma prostituta que lhe aprouvesse. Nenhuma lhe satisfez seus anseios. Atentou em ingerir logo aquela bebida e sair dali. Já não tencionava em ter-se com uma mulher.
Minutos depois a garçonete veio lhe oferecer outra cerveja e perguntar se precisava de alguma coisa. Indiferente, de forma quase mecânica, perguntou:
-- O senhor não gostaria de uma de nossas meninas?
-- Dessas aí!? Nenhuma! Você não teria alguma mais jovem? - perguntou.
-- Temos sim. Temos uma menina que pode agradar o senhor. Vou apresentar ela para o senhor. - Saiu.
De uma escura escada desceu uma jovem. Com passos firmes, foi caminhando em direção àquele homem solitário sentado a mesa. Graças à indicação da garçonete, ela sabia onde e a quem se dirigir. Aproximou-se, puxou a cadeira e sentou frente-a-frente com o solitário homem. Estudou-o por um curto espaço de tempo.
Ele por sua vez também fez o mesmo. Percorreram-lhe os olhos de cima a baixo processando os traços físicos da jovem. Singela, de aspecto juvenil, semelhava-se a uma adolescente de 15 anos. Trajava uma mini blusa de malha fina, uma calça jeans delineando com pormenores os traços de seu tênue corpo. Os extensos cabelos castanhos e as longas unhas pintadas com um esmalte de rubra cor estimularam sua atenção. Agradou-lhe.
-- Quantos anos você tem? - quis saber.
-- 18 aninhos - respondeu ela sem trepidar. Sua voz era doce e suave.
Ele não acreditou. "Divido que essa menina tem tudo isso! Pensa que eu sou idiota. Com esse jeitinho de menina! Isso me atrai muito. Vou ver do que ela é capaz...", pensou com seus botões.
Ela tomou o copo da mão dele e provocantemente tomou um gole, atirando-lhe os maledicentes olhos.
-- Com essa cara de criança?
-- Não gostaria de certificar? - sugeriu ela, como se lesse os pensamentos dele.
Ele anuiu meneando a cabeça.
Ela levantou-se, levou a mão à dele e chamou:
-- Então venha, - disse ela - venha dar amor a uma menina solitária.
"Puta merda! Quanta falsidade! Será que não podia abrir a boca para falar algo melhor? Só podia ser coisa de menina mesmo!".
Depois de galgarem a estreita escada, deparam com uma pesada e descolorida porta. A jovem meretriz levou a chave à fechadura e arranhou uma volta e, entreaberta, leve ar com odor de rosas escapuliu. Divergentes raios de luz adentraram, desvelando o contorno da pouca mobília.
Indubitavelmente, a cama lhe roubou os perscrutadores olhares. Meio que titubeante, transpôs a porta e sentou na oblonga cama.
Silêncio. Ouviu-se só o estrídulo som da porta vagarosamente fechando. A jovem trancou-a e virou-se. Foi então que se lembrou de que não havia lhe perguntado o nome.
-- Como você se chama, docinho? - inquiriu.
-- Diana.
-- Hum... Bonito nome! - exclamou ele com amabilidade. - Este nome me faz recordar a Grécia antiga. Acho que é o nome de uma deusa grega, mas não tenho certeza. Nunca fui bom aluno em história. -comentou a seguir.
-- Nunca me interessei em saber porque me deram este nome. Isso não mudaria mesmo em nada meu destino - comentou ela alegre, do banheiro. O som de água caindo invadiu o quarto.
-- Há uma ciência que diz que sim. Eu por mim não acredito nessas bobagens! Nem um pouco de curiosidade, você nunca teve, em saber? - insistiu ele, sentado na cama. Curioso, atentava em todos os detalhes do quarto.
-- Saber o quê? - perguntou Diana elevando a voz.
-- De onde vem seu nome, porque seus pais te deram ele.
-- Ah!... Não... - bradou ela com jovialidade.
O som de água jorrando interrompeu.
Estanha essa menina! Não ter tais curiosidades? Isso é coisa de adolescente! Não se preocupar com nada. Ela não me engana mesmo!, disse consigo.
Sentado na cama, Basílio descalçou-se. Levantou-se e retirou o pulôver e a camisa. Depositou-as sobre o criado mudo e principiou a deitar quando Diana adentrou.
Seu corpo magro, alvo estava envolto num blusão rosa. Entreaberto, deixava transparecer o entremeio dos cônicos seios, o umbigo e os negros pêlos do púbis. Os seus passos impassíveis lembravam uma profissional das passarelas. Ela vinha ao seu encontro com olhos intrépidos e mirados nele, estudando-o com minúcia, como se quisesse descobrir que reações despertavam nele.
Basílio desorbitou os grandes olhos, divisando insistentemente o menear daquela uniformidade de pêlos aparados com muito zelo. Seu coração palpitou ante tanta formosura. E seguidamente estampou ele uma cara por demais aprazível; e seus olhos pestanejaram de ardente júbilo. Era um homem de meia idade, beirando os quarenta e cinco anos. E aquele jovialidade fê-lo recordar de tempos idos, quando do auge da virilidade.
-- O que foi? Não está acostumado a ver essas coisas? -- indagou ela, vendo nele certa afetação.
-- Já vi muitas, mas não ultimamente -- respondeu Basílio, ainda com os olhos cravados nela.
-- Você é casado?
-- Já fui.
Diana assentou-se ao lado dele e deixou descair o roupão propositadamente. Os cônicos e rosados seios furtaram mais uma vez o olhar de Basílio. De fato eram jovens, muito bonitos. Pareciam tremeluzir devido à rigidez.
-- Não deu certo?
-- Não! Com o tempo, fui ficando de saco cheio. Isso sempre acontece. Não consigo ficar muito tempo com a mesma mulher. Elas acabam me entediando e me aborrecendo.
-- Mesmo que ela fosse uma jovem e bonita?
-- Provavelmente. Mas vamos deixar isso prá lá. Eu não vim aqui para falar de meus problemas pessoais -- disse ele, tocando-a levemente nos seios.
Os homens são todos iguais... uns velhos safados, pensou ela.
Durante algum tempo não trocaram muitas palavras.
Basílio fez o que se corpo estava a reclamar. Não quis mais dialogar, não quis mais se inteirar da vida ou dos sentimentos dela.
Ela por sua vez, fez o seu trabalho de forma exemplar. Simulou tudo de forma real, como se tudo fosse a mais incontestável verdade.
-- Você foi uma boa menina – enunciou ele, pagando-lhe o que era devido. – Sinto-me melhor agora.
Absorto, sentindo-se mais leve, desceu as escadas e atravessou o salão.
Ninguém atendeu a sua presença; afinal, estavam já acostumados com aquele sobe e desce de clientes. Por que iriam desviar suas atenções a ele?
Ele por sua vez percorreu os olhos pelo salão e saiu. Preciso ir para casa, pensou ele, sinto-me um pouco cansado e sonolento. Aquela rameirazinha além de roubar meu dinheiro, ainda roubou-me as forças...
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