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cronicas-->Cachorro de madame -- 29/07/2001 - 19:20 (Mastrô Figueyra de Athayde) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Estava eu tranquilamente em uma tarde de domingo tomando uma cervejinha com os amigos, em um boteco na Avenida Rebouças. A cerveja estava estupidamente gelada e as mocinhas que passavam pela avenida eram os colírios para os meus olhos. Ao longo da tarde, quando o efeito do álcool já começava fazer efeito, me detive em uma cena um tanto que normal no dia-a-dia de uma cidade, onde poucas pessoas param pára prestar a sua devida atenção. Pela avenida vi um luxuoso carro importando. Se não me engano, era um Honda Civic, o mesmo construído nas terras de Rebouças. A beleza do carro era evidente, assim como o de sua dona. Uma morena de límpidos olhos verdes reluzentes. Uma mulher digna e perfeita para casar. Até aí parece que não havia nenhuma novidade. Um carro importado e uma mulher bonita, mas o que realmente me fez meditar e analisar aquela bela cena, foi a cachorrinha pudle pertencente a bela morena. O vidro do lado do passageiro estava entreaberto e a pequena "bolinha de pêlo" estava com a cabeça para fora, com o focinho totalmente à mostra e com as longas madeixas de suas orelhas ao vento.
Olhei para a garrafa de cerveja e comecei a lembrar da cena. Realmente por alguns instantes devo ter entrado no estágio "beta", tamanha a concentração, que era reprimida pelos intensos goles de cerveja que havia dado momentos antes. Em apenas dez minutos de reflexão, pensei: porque os cachorros de madame insistiam em ficar com a cabeça para fora da janela no banco dianteiro do passageiro? Pensei inclusive no meu pobre vira-lata, que só sai de casa, na Perua Kombi de meu pai para tomar vacina no veterinário. Mesmo assim ia no compartimento de carga, com a mordedura fechada, para que a baba não cai-se no velho veículo utilitário. Neste pequeno pensamento, pude notar a desigualdade social entre os animais. A luta de classes é notada e sentida na sociedade, inclusive em nossa querida Sumaré.
A bela dona morena não há vi mais, mas hoje em dia, canso de ver cenas parecidas pela cidade. Vira-lata nunca vi em carro de madame, como nunca vi podle em Perua Kombi. Na vida tudo é possível e o focinho de cachorro com certeza é gelado. Aí eu pergunto - Até quando?...

Mastró Figueira de Athayde é cronista e fiscal de carrocinha
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