JEREMIAS, Joaquim – Teologia do NT: O retorno do espírito que se apagara. São Paulo: Paulinas, 1997, 121-134.
Jesus o Profeta – Jesus não foi considerado Rabi porque não se têm informações de que tenha freqüentado os estudos da época, que começavam, aproximadamente, aos 7 anos aos pés de um escriba. Ou seja, ele não era um teólogo “formado”, mas sim um carismático Mc 1,22, e por isso o título de profeta. Afinal, possuir o Espírito de Deus significa ser profeta. O que se mostra também quando ele expulsa demônios e comunica aos seus discípulos a posse do Espírito.
Jesus não era um profeta qualquer – Na opinião do judaísmo ortodoxo O Espírito tinha se apagado: no tempo dos patriarcas, todos os piedosos e justos possuíam o Espírito, quando Israel prevaricou com o bezerro de ouro, Deus limitou o Espírito a homens escolhidos, aos profetas, sumos sacerdotes e reis. Com a morte dos últimos profetas escritores, Ageu, Zacarias e Malaquias, O Espírito se apagou, por causa do pecado de Israel. Desde então, acreditava-se, Deus continuava falando apenas pelo “eco da sua voz”, um pobre substituto. Contudo temos Qumnran como exceção, com seus hinos de louvor “com o Espírito que (tu) Deus que puseste em mim”, mas é apenas uma exceção.
Jesus e o Batista – Deus rompe seu silêncio com o Batista - o “mais que simples profeta”, realçando uma superação do passado, é o retorno escatológico do Espírito que agora iria ficar para sempre com a comunidade para consumar sua ação salvifíca. Com João temos o sinal do retorno do Espírito que tinha se apagado, entretanto é com Jesus que temos o nascimento do Reino de Deus, pois é aquele que veio (Mt 5,17) cumprir acrescentando (plerôsai). Assim, Jesus reclama para si o ser mensageiro escatológico de Deus, portador da revelação ultima e definitiva, exigindo obediência absoluta, que é o sinal da basiléia, onde a vontade divina se sobrepõe à veterotestamentária, é o fim do tempo de julgamento e o começo da era da graça, é o tempo de salvação entendido escatologicamente, designando a reconstituição da comunhão de vida que antes fora destruída entre Deus e o humano.
Jesus o efetuante – nunca está a palavra sem a ação, nem a ação sem a palavra que a anuncia. Jesus conclui a revelação de duas formas: pelas ações de poder e pelas palavras de autoridade – sinais efetivos do reino que demonstram a misericórdia e amor de Deus para com os pobres em contraposição aos que se achavam justos. Jesus atualiza o amor de Deus.