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Poesias-->A FILA -- 13/01/2004 - 09:19 (Wilson Vilar Sampaio) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Uma fila imensa se formou

Na porta da repartição.;

A maioria era gente de cor

A maioria não tinha opção.



A fila andava muito devagar...

Aquelas pessoas sequer tinham noção

De há quanto tempo estavam lá,

Em pé, cansadas, naquela aflição.



A fila lembrava uma cobra

Serpenteando sob o sol, na calçada,

Ao seu lado erguia-se uma obra

De mármore e granito na fachada.

- Era

Um

Tribunal

Regional

Federal-



Passava o tempo e a fila aumentava

Desafiando a lógica e os doutos,

Porque mais e mais gente chegava

E os funcionários só atendiam uns poucos.



A fila agora era uma cascavel

Venenosa, com o chocalho balançando,

Parecia o Bolero de Ravel

Subia o tom e dava um bote... e a fila aumentando.



Sociólogos hipócritas e Assistentes Sociais

Buscavam material para teses obscuras,

Escrevendo como se fossem triviais

Epitáfios para tantas sepulturas.



As pessoas enfrentavam o suplício

Da fila famélica de pessoas

E essa fila tinha um vício:

Consumir apenas as que fossem boas,



As que fossem fracas pela desgraça,

As que fossem dependentes da nação,

As que não tinham "padrinhos" na praça,

As que não tinham emprego nem pão.;



Mas a fila parecia dizer-lhes:

- Decifra-me ou serás devorado

Palavras lendárias que eles,

Jamais tinham lido ou escutado.



A fila agora era um predador,

Um feroz cão de fila sedento

Disposto a mutilar e causar dor,

Àquelas pessoas sem alento.;



Gestantes de tanto esperar, pariam,

Prematuros bebês, fura-filas inocentes,

Que nascendo assim garantiam

Engrossar depois a fila dos carentes.;



A fila cresceu e dobrou o quarteirão

Uma outra e mais outra esquina dobrou,

E assemelha-se agora a um dragão

Aquele que São Jorge não matou.;



E vai crescendo e já não cabe na cidade

E vai procurando outras plagas prá crescer

E as BR`s e rodovias estaduais, invade,

E finalmente chega até você........



Essa fila é o mais certo pesadelo

Que espera cada pobre brasileiro!





















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