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Poesias-->Dote -- 20/02/2003 - 20:28 (Luis da Silva Araujo) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
                  Livro: VERTIGEM




                  Dote





Estou só na multidão

só tal ave desgarrada

solta no éter da amplidão,

só como a pedra da estrada...

A gente que me rodeia

fala de ti sem querer

e minh alma se incendeia

como a aurora, o alvorecer!



Vejo-te, mulher, em tudo

e em todos te vejo apenas...

e o ego de mal agudo

transforma o viver em penas

que amargas de solidão

inibem todo o sentido

do meu peito consumido

pelo verme coração.



Alma por ti já não tenho

e o próprio corpo é roído

pela rudeza do lenho

que me atordoa o sentido...

e no sofrer hodierno

percebo que já sou cego

pois que minh alma eu entrego

por ti às cinzas do inferno!...



CPE-MS, 17.07.85 - 10:15

































































































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