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Poesias-->A Paixão, Eu e o Verbo -- 12/09/2002 - 20:10 (MICHEL ROSENBLAT) |
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Floresce-me a semente
Do fulgor de um olhar
De uma palavra eminente
Que me pus a semear
Da serena harmonia
O amor ouvi soar
Numa doce poesia
Tua imagem vou guardar
Romperam-se os grilhões
Floresceu-me a alegria
Renasceram as canções
Junto a mim é que te queria
Os cabelos que te caem aos ombros
Como o mar que estronda à pedra
Estou amando, eu me estranho
No sentimento que me esmera
Vagueiam os teus olhos
Aquece o coração
Brotam em mim sonhos
Todo amor, toda afeição
Em teu corpo meus olhos brilham
perdição és para mim
corpo e alma agora lidam
na batalha que não tem fim
Meu orgulho é vitupério
Pervertendo o amor
Inundando de mistério
O fel é o seu sabor
Verbo que rege o meu corpo,
As entranhas de dor inflama,
Estás negro como o corvo
Fecho os olhos pela infâmia
Coração é a palavra
Que constitui o meu ser
A mágoa que ele lavra
Faz minha vida perecer
Malvada e traidora
És tu palavra
Que ora me bendiz
Ora me maltrata
Ora me exalta
Ora me destrói
Que fiz eu a ti
Para despertar
O teu desejo de matar,
Assolar quem te admira
Arrebatar o que te ama
Malvada és tu
Que outrora sorrias
Com a doce música
Que te acompanhavas
E do sentimento mais profundo
Plenitude te arrancavas
Reverente, solene e mudo,
Teu coração esquadrinhava
Chora que te quero bem
Arrepende-te no tempo
Que o fim já vem
Reflitas no que leva o vento
Pois aquilo que tu queres
É o que não podes obter
A morte da tu alma
É a concupiscência em tua vida
Não queres da minha calma
Mesmo conhecendo minha guarida
Ah, criança perdida
Caminhando de espreita
Deixa a fome e a fadiga
Eu te peço: te endireitas
Por que foges de mim?
Sou a Palavra que te consolas
Que esmiúça o que é ruim
O que pela tu alma chora
O que preparas para o fim
Quando o canto ressurgir
Boa nova vou legar
Os teus males redimir
Vida eterna vou te dar
Michel Rosenblat - 10/09/87
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