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Poesias-->FAÍSCA ELETRÔNICA -- 04/08/2002 - 02:43 (FRANCISCO FRABER PENHA) |
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Às vezes dava para perceber
Quando se vestia
Assim,
De gelatina disfarçada de asfalto
Pra se defender dos suicidas noturnos
Vivia entre frestas
De ruas sem saída
Amava com 9 sentidos
Beijava brilhando
E olhando sua lua artificial
Era o gênio do esgoto
Era Dr. em literatura
De escritos esquecidos
Em banheiros públicos
Atravessava gases
E tóxicos carbônicos
Viciado em cheiro de desastres
automobilísticos,
Respirava com dificuldade
Seu próprio cheiro
Colecionador assíduo
De calcinhas usadas
Nas paredes dos pontilhões
Assistia programas em subúrbios,
Professor e crítico
De pichações na madrugada
Vivia dentro de instalações elétricas
Sugando a energia vislumbrada
E refletida
Pelos néons das vitrines
Filho bastardo da solidão
E do sereno ácido
Não acreditava nos noticiários
E explodia, às vezes,
Seus tubos cansados
Solitário, às vezes conversava
Com fones de ouvido sem fio
Por telepatia,
Com amigos seus, longínquos,
Que moravam numa casa sem mapa
Mas nunca os viu.
Um dia desapareceu
Numa noite obscura
Misteriosamente,
Como toda sua curta história
Restou pouco dele
Fragmentado na atmosfera saturada
E contrastada com fumaça
E pedaços de sapatos militares
Não deixou lembranças
Só sua imagem refletida
Nos céus sem estrelas
Dessa metrópole neurótica
Pode ser que se capte sua freqüência
Perdida nalgum canto negro
Com certeza comunicando
E colecionando
Calcinhas usadas...
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