Usina de Letras
Usina de Letras
24 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 63497 )
Cartas ( 21356)
Contos (13308)
Cordel (10364)
Crônicas (22588)
Discursos (3250)
Ensaios - (10775)
Erótico (13602)
Frases (51996)
Humor (20212)
Infantil (5649)
Infanto Juvenil (5007)
Letras de Música (5465)
Peça de Teatro (1387)
Poesias (141399)
Redação (3380)
Roteiro de Filme ou Novela (1065)
Teses / Monologos (2444)
Textos Jurídicos (1975)
Textos Religiosos/Sermões (6396)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Poesias-->Fiat Lux -- 27/03/2002 - 10:22 (Lucio Mario) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Ah! Que testemunho maravilhoso foi-me delegado, nessa tarde, transmitir àqueles que não tiveram a oportunidade de apreciar o astro-rei descerrando as cinzentas cortinas que encobriam o fundo azul do palco de seu solitário estrelato.

Senti-me jubiloso! Seus raios doirados cingiram-me a mais opulenta das coroas.

Pena que tudo tenha durado tão pouco. Logo cerravam-se novamente as cortinas, findando mais um ato glorioso no palco de nossas vidas.

Talvez, tenha sido em virtude dessa mesma circunstância que a maioria, sequer, tenha se apercebido da ação descrita acima de suas próprias cabeças e que, mesmo dentre uma atenta minoria, senão, poucos e privilegiados indivíduos tenham se dignado a interromper o curso de suas atividades para apreciarem por meros instantes toda a grandiosidade daquele momento.

Estou certo de que nem mesmo tu te apercebestes, empenhada em teus preparativos, desse breve período em que durou meu reinado...

Agora, basta-me! Pois, se detiver-me por mais tempo rememorando esse idílica lembrança, fatalmente, serei destronado, exilar-me-ão ou condenar-me-ão a apodrecer na masmorra solitária de meu próprio castelo ou, senão, tombarei ante um projétil certeiro, disparado por um súdito fanático oculto em meio à multidão.

Apressa-te, pois, com tua arrumação, porque a minha ida se fará ainda essa noite e não quero que me recebam nem trancas ou cadeados.

Acorrente o teu cão nos fundos de teu quintal para que, assim, tu não te alarmes quando eu chegar.

Deixe que a porta permaneça cerrada para que, assim, tu não te ressintas quando adentrar-me em tua morada.

Enceres teu assoalho.; lustres teus móveis, tua prataria e teus cristais.; retires o pó de teus quadros, de teus livros, de tuas estatuetas de mármore e de teus vasos de porcelana.; removes as máculas de teu cortinado, de teus tapetes, de tuas tolhas de mesa e de tuas roupas de cama.; arrancas o bolor incrustado nas paredes e no teto para que, assim, superfície alguma absorva luz e calor em demasia e eu possa atravessar de tua sala ao estreito corredor que conduz ao teu quarto sem que me atreva a tocar em algum interruptor, profanando, assim, a sublime expectativa de teu espectro silencioso, entre os umbrais da porta de teu quarto.

Permitir-me-á, então, que te envolva em meus braços e te aqueça, mas, não te assustes, se acaso, no fundo escuro de meus olhos, o sol também brilhar pra ti.

Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui