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Poesias-->ORAÇÃO DO APÓS-COLAPSO -- 02/02/2002 - 02:53 (Edson Rodrigues) |
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Sem curas miraculosas
Nem passes pra vida eterna.
Basta uma terna aragem
Materna, meticulosa.
Sem bomba feita de nêutrons
(o clima a neutraliza).
Nem vem com festa de arromba
Ou tromba-d’água em plena sesta.
Nem fome universal,
Vibrantes epidemias,
Abundante hemorragia
De punho celestial.
Pode guardar teu monstro
Que deu fim ao carnaval,
O cavaleiro em burro coxo
E o arrocho salarial.
Não precisa muito engenho
Ou arte em superprodução.
Dispensamos todo empenho,
Toda comemoração.
Nem cometas de artifício,
Nem manifestos ateus
De anjos que pintam o diabo
No ofício de agradar a Deus.
Já não cabe outro dilúvio
(não tem pau pra tanta arca),
Erupção do Vesúvio
Já não mata, apenas marca.
Nem adianta abalo sísmico
(já não abala mais ninguém),
Envenenamento químico
Alimenta e até faz bem.
Guarde as tuas engrenagens,
Delas não precisaremos,
Nem robôs extraterrenos
Que divulguem tuas mensagens.
Queremos um fim muito calmo,
Como foi a criação,
Sem velhos livros de salmos
Na hora da extrema-unção.
Basta uma nuvem e meia
De feno selecionado,
Que uns vão de barriga cheia
E outros muito descansados.
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