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Poesias-->murmúrio.do.sangue -- 29/09/2001 - 14:07 (Daniel Veiga) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Que o rio seque

e as margens se unam.

A água brote

da negra pedra

e os músculos cantem

fôlegos de plumas e asas.



O estuário

que o não seja.

O sangue fique

alheio à espada.



Que as águas sejam seiva.



Que o rio corra

nas artérias, na boca.

Cada lábio uma nascente.

Cada corpo leito de si.

Que os braços abracem

e os rostos se incendeiem.



E o mar...

que fique lá,

corpo sangue raiz

e que seja mar,

antes mãe que amante

antes fonte que destino...
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