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CHOVEU EM MEU PASSADO
RF
Chovia bastante hoje de manhã.
Um amontoado de nuvens,
em alta velocidade, se atropelava,
escureceu e elas descarregaram
cachoeiras sobre a cidade.
Os raios rasgavam o céu de cima
para baixo e os trovões rugiam
como leões famintos.
Parecia que estavam com raiva ou
eram canhões enferrujados a atirarem
em todas as direções.
Quando isso ocorre, ao invés de sair,
prefiro fazer algo diferente, em casa;
por mais simples que seja: arrumar livros,
cozinhar, organizar roupas, ver fotos, etc.
O importante é que seja algo prazeroso,
já que durante a agitação do cotidiano
a maior parte das coisas que fazemos
é mais por obrigação, e até já as
realizamos automaticamente.
Encontrei numa pasta envelhecida
umas fotos minhas, antigas,
do período da minha adolescência.
Ah, como foi boa aquela sensação!
Fazia tempo que eu não as via.
Aliás, nem lembrava mais delas.
Revi muitos amigos daquele tempo
e relembrei de memórias agradáveis.
É bom esse tipo de reencontro,
faz bem ao coração e a alma.
Foi um passeio nostálgico pelas
nuvens do pensamento, que as
outras trouxeram quando fizeram
chover e o céu da saudade clarear.
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