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Companheiro do Voo para Portugal
Renato Ferraz
(resposta ao poema Bagagem de Voo, de Silvilene Gomes)
O meu poema embarcou hoje para Portugal, no voo que leva um companheiro seu do Rio de Janeiro, da cidade de São Pedro da Aldeia.
Viajou no assento do corredor, ao lado do amigo.
É a primeira vez que meu poema realiza um voo internacional, está apreensivo e tenso, porém confiante e alegre com a companhia do amigo.
Respirou pausadamente, fechou os olhos e seguiu viagem. Relembrou em instantes como foi tão rápido todo esse processo.
Seu coração bate tão forte que parece que será ele que decolará...
Na sua bagagem leva rascunhos de textos, recém escritos.
Também vão alguns poemas do poeta Jorge de Lima.
Para seu deleite leva um texto de Lêdo Ivo, que o lê com frequência, “Soneto dos vinte anos”!
Meu poema é tímido e econômico nas palavras, parece carregar consigo a sisudez de Fernando Pessoa e a introspecção de Graciliano Ramos.
Logo que iniciou o atendimento a bordo, ele pediu uma taça
de vinho, pois precisava massagear a alma e relaxar um pouco.
Segue o voo, a pouca luz combina com o silêncio, como gosta para ordenar as ideias.
Olha para o companheiro, ele está com os olhos fechados, porém ainda está acordado.
Conversaram por algum tempo, ouviu do amigo suas expectativas sobre a viagem para Portugal. Está bastante esperançoso. Trocaram opiniões e descobriram algumas afinidades, pois se conhecem faz pouco tempo.
Em seguida ambos dormiram. O meu poema começou a sonhar...ocorreria um voo dentro de outro voo! Um sonho dentro de um sonho e um poema dentro de outro poema:
“O voo pelo universo da poesia
O verdadeiro estado de graça
A sensação de estar flutuando
A visão de mundo diferente,
esse verdadeiro estado de poesia,
é a necessidade que sente a alma
para aliviar as tensões da vida
e só a magia que a poesia tem,
somente a voz que ela fala,
asseguram-nos uma travessia
mais segura, com candura,
alegria e doçura, que ela
nos proporciona.”
E como seriam os dias que passaria ali no país irmão, qual seria a programação. Estava bastante curioso sobre o desfecho desta encontro.
Era uma nova experiência, tudo era novidade, a partir do momento que recebeu o convite para participar desse projeto.
Quando aterrissou o avião em solo português, já acordado, passado o sonho, era a hora de pensar como dissera o seu amigo durante a conversa:
“ o passaporte estava carimbado de esperança
A mala cheia de céu
E a certeza de que nenhuma fronteira
É mais alta que o voo de uma palavra.”
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