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Poesias-->Vitória -- 29/05/2012 - 10:53 (maria da graça almeida) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos



Vitória

maria da graça almeida



Passo e emudecida, que fique a poesia.

Largo-a com ranhura e cicatrizes.

Deixo-a insignificante, como insuficiente a encontrei.

Sigo e trôpega, carrego lanhadas

mágoas, dores e descasos que no peito sufoquei.



Poesia, egoísta mulher,

incapaz de amainar decepções,

seu verso tão só afinou o soluço convulsivo,

do poeta diante da ansiedade frenética

da sobrevivência dos sentimentos.



Poesia ,caprichosa mulher, travestiu-se

de vedete para aumentar o êxtase

do riso ilusório e do falso “glamour”.

Nasceu indecorosa fingindo recato

diante dos que a conceberam religiosa.



Em vista do malefício, em face do vil ofício,

fecho a página do livro,amasso velhos papéis,

apago minha história, e encerro este poema,

cujo tema era a glória, o poder e a vitória.


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