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Poesias-->QUATRO SONETOS DE AMOR -- 05/06/2006 - 17:13 (José J Serpa) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
QUATRO SONETOS DE AMOR

(Post coitum omne animal triste)

I

Como eu me sinto nua ao pé de ti...

e sem inibições, sem embaraços...

e este quebranto nos meus membros lassos...

desfalecendo... Só minha alma ri



a bendizer o dia em que eu nasci,

quando me envolves toda nos teus braços...

Cobre-me toda, amigo, eu ouço passos

e tenho medo venha alguém aí...



Deixa-me aconchegar bem no teu peito

e escorregar pra dentro do teu leito

para que ninguém descubra o meu segredo...



Que força é esta, amigo, que me faz,

ao mesmo tempo tímida e audaz,

uivar de gozo e tremer de medo?





II

Psiu! meu amor... que estás no limiar

dum santuário onde o peregrino

vem se imolar ao estro fescenino

de Eros... Mas ele dorme. Vem beijar



meus olhos antes que desperte. Calar

meu triste anseio antes que o divino

impulso empolgador desse menino

obsceno e vil me venha arrebatar.



Quisera não entrar... ficar aquém,

onde pudesses só e docemente

ser minha companheira, amiga, irmã.



Mas o destino chama... há que ir além

desse portal fatídico... somente

a ser brinquedo desse deus galã...







III

Oh, como eu temo já aquela hora

em que ele, farto do ignóbil dolo,

me abandonar prostrado no teu colo...

boneco aborrecido e posto fora



pelo menino mau... Oh, como chora

já de remorso... já de desconsolo...

minha alma ao antever-se no controlo

desse deusinho obsceno que a devora...



Perdoa, amiga, o gesto vil, grotesco,

perdoa o frenesi animalesco

com que hei-de arrebatar a tua dor...



com que hei-de machucar essa candura,

essa a delicadeza essa ternura

que me dedicas tu, no teu amor.





IV

Oh, vem, amigo, vem aconchegar-te

no meu abraço frágil, mas seguro...

deixa abraçar-te neste tempo escuro

dessa tua tristeza... e mostrar-te



que além de ser o que é, amor é arte.

Além de animalesco, obsceno e duro,

ele é também humano, doce e puro,

capaz de aconchegar, de consolar-te...



Depois de partilhar no teu delírio,

de machucar contigo o mesmo lírio,

quero juntar a lágrima ao suor



do teu corpo prostrado no meu colo.

É nesta condição que eu me consolo

de ser mulher - crisol de gozo e dor!








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