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Poesias-->ELEGIA -- 09/01/2005 - 18:32 (Mauricio de Melo Passos) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
ELEGIA





Lembro-me do tempo em que não havia

Um certo tempo pra se contemplar

O charme do ocaso e o raiar do dia.



Lembro bem quando não podia olhar –

Tamanho pejo em que se me escondia –

Sua pele alva e nua a se me revelar



U’a pura ingenuidade que sorria,

Relevando um sorriso que não dei

Ao passado vivido em fantasia.



Lembro-me do bonde em que nunca andei,

Das frases de amor que não proferi,

Desse bolero que jamais dancei.



Lembro bem, porém, a vez em que a vi,

A pensar não mais outra iria haver,

Por se perder a flor que não colhi.



E, hoje, finjo que penso compreender

Todas as coisas que eu inda não sei,

As palavras que eu não soube dizer.



Lembro-me desse amor que mal amei,

Por pensar que sua imagem estaria

A compor a aquarela que pintei.



Lembro bem o tempo em que bastaria

Os olhos fechar pra fugir dali,

Rumo ao castelo que não conhecia,



A trazer-me a paz que jamais senti

Da infância que não mais queria estar

Naquele mundo que não construí.



Lembro-me, até, de que devo lembrar,

Nesse triste dia, ao entardecer,

Que, meu pranto, somente eu fiz criar.



Lembro bem, pois, o que tento esquecer,

Sem, contudo, deixar de imaginar

O que do ontem irá o amanhã crer



Se a aurora no horizonte não raiar.;

Se à tarde não vier o anoitecer.;

Se o poeta ficar sem o luar.



Lembro-me do que não pude fazer,

De cada rosto que não encontrei,

De quando carne aqui deixei de ser.



Lembro, afinal, o céu em que toquei,

Quando no palco da noite subi.;

Do beijo da lua amada que ganhei,



Quando em busca de meu sonho parti,

Certo de que uma vez mais estaria

A recordar as vidas que vivi,



Saudoso, a compor versos de elegia.





MAURICIO DE MELO PASSOS
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