“K-PAX” é o nome de um filme, encontrável em qualquer locadora, e que narra a história de um ser de outro planeta, ou melhor, do planeta K-PAX, que chega à Terra num raio de luz. Quando chega à Terra, mais precisamente numa estação de trem, depara-se com a cena bárbara de dois assaltantes que agridem uma mulher idosa e roubam sua bolsa. Ele tenta ajudar a mulher e é detido pelas autoridades policiais como suspeito. A mulher esclarece que ele estava apenas tentando ajudar, mas, como ele não tinha bagagem nem documentos, as autoridades o levaram. Como ele insistia que era de outro planeta, foi levado para um hospital psiquiátrico. Daí a trama segue de forma muito criativa.
O ponto central é que ninguém acredita que ele seja de outro planeta, apesar de todas as evidências. Por que sempre nos recusamos a acreditar nas coisas? Por que não acreditamos nas pessoas? Por que uma pessoa não pode simplesmente dizer que é um anjo, por exemplo, e ser feliz? E mais, ser respeitada por seus semelhantes? A verdade é que estamos acostumados demais com a realidade medíocre em que vivemos. Não acreditamos nas pessoas. Não acreditamos em sonhos, em magia, em fantasia. Mas, o mundo é cheio de magia. Coisas maravilhosas acontecem a todo o momento. Todos os dias as pessoas pedem por um milagre. Mas são incapazes de reconhecê-lo quando ele acontece. As pessoas pedem o milagre de ganharem grandes prêmios em dinheiro, ficarem ricas, terem muitas posses, etc, etc. Mas isso não é milagre.
Uma mãe solteira que trabalha em dois empregos e ainda tem tempo de levar seu filho para jogar bola com os coleguinhas, isso é um milagre. Um pai de família que é humilhado em seu emprego e, ao chegar em casa diz à esposa e filhos que os ama e que são a coisa mais importante de sua vida, isso é um milagre. Ah! Os pequenos milagres acontecem a todo o instante. Pena que as pessoas não os percebam, pena que o mundo tenha ganhado tanta insensibilidade, talvez resultado da era tecnológica, que privilegia a máquina em detrimento da pessoa humana.
No filme uma equipe de médicos se reúne para dar um diagnóstico a um possível distúrbio psíquico do personagem principal, chamado “Prot”. Todos, em sua arrogância chutam um diagnóstico, consoante os postulados seculares da psiquiatria, mas se esquecem de que a verdadeira essência humana vai muito mais além do que nossos olhos podem ver. Como disse de outra feita Saint-Exùpery: “O essencial é invisível aos olhos”. Parafraseando Shakespeare, podemos dizer que há muito mais coisas entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã ciência. A mediocridade do capitalismo, do materialismo, da vida vazia e conturbada do dia-a-dia nos impede de ver a realidade tal qual ela é.
Quando percebermos que a vida que vivemos é uma mera ilusão, uma reprodução do mundo das idéias, como disse certa vez Platão, então perceberemos a real finalidade para a qual o homem foi criado. Quando não mais a catarata da inveja, da ganância e da arrogância embaçarem nossos olhos, quando ao invés de vermos, realmente, enxergarmos, quando finalmente escutarmos, ao invés de simplesmente ouvirmos, quando tivermos a capacidade de dizer, ao invés de apenas falar, então tudo ficará mais claro, e a tão almeja verdade, aquela mesma pregada por Cristo, finalmente nos será revelada.