Usina de Letras
Usina de Letras
42 usuários online

Autor Titulo Nos textos

 


Artigos ( 63499 )
Cartas ( 21356)
Contos (13308)
Cordel (10364)
Crônicas (22588)
Discursos (3250)
Ensaios - (10775)
Erótico (13602)
Frases (51998)
Humor (20212)
Infantil (5649)
Infanto Juvenil (5007)
Letras de Música (5465)
Peça de Teatro (1387)
Poesias (141399)
Redação (3380)
Roteiro de Filme ou Novela (1065)
Teses / Monologos (2444)
Textos Jurídicos (1975)
Textos Religiosos/Sermões (6396)

 

LEGENDAS
( * )- Texto com Registro de Direito Autoral )
( ! )- Texto com Comentários

 

Nossa Proposta
Nota Legal
Fale Conosco

 



Aguarde carregando ...
Discursos-->El Dorado -- 28/11/2001 - 03:00 (Alberto D. P. do Carmo) Siga o Autor Destaque este autor Envie Outros Textos
Raimundo queria casa. Comprou um lote clandestino, cimento e tijolo - ficou sem um tostão que trouxe lá do Recife. Ergueu com as mãos. Fez janela sem vidro, banheiro sem descarga, mas tinha água no cano e angu no almoço.

Casou-se Raimundo com Rosinéia. Tiveram cinco filhos: Deivi, Douglas, Jiseli Buxo, Marcelim e Ronaldim, todos banguelas, paridos no hospital público do bairro, exceto Jiseli, que nasceu na viatura por falta de tempo.

Amavam-se na cama nova, comprada no crediário junto com a TV. As crianças dormiam num cobertor estendido no chão. Nunca acordavam durante a noite - a fraqueza era um calmante.

De madrugada, Raimundo tomava banho quente de gato, comia pão com banana e saía à procura de bico. Rosinéia acordava mais tarde, lá pelas nove. Dava banho nas crianças e as vestia com a mesma roupa. Depois saíam, caminhavam até o cruzamento e garimpavam moedas entre os automóveis.

Juntavam quase o dobro do que Raimundo trazia no fim do dia. Dava para o feijão, óleo de soja, quarto de carne moída de segunda, quarto de café, açúcar, cebola, sal, uma garrafa de pinga e dúzia de ovos. Durava a semana. O resto da féria ia na prestação; depois iam comprar poltrona e trazer a irmã de Rosi, que ficou embuxada em Brejinho, e já esperava o terceiro, solteira de três maridos - escrevia todo mês.

Quando Raimundo voltava triste, Rosi dizia que estava enjoada e não jantava. Raimundo raspava o prato, e disfarçava a faca que enfiava na cintura: - Se acalme, meu marido. Tudo há de ajeitá. Pensa nas criança!

Ano passado, Raimundo enlouqueceu. Queria comprar o carro do vizinho - um Opala sem farol, mas que andava e podia passear. Rosi se enfureceu: - Onde já se viu, home! Tá querendo ser bacana? Se não pagar vai se metê em complicação.

O bom senso de Rosi prevaleceu. Raimundo esqueceu da idéia e comprou um par de botas de borracha para Deivi, que fazia 10 anos: - Agora cê vai comigo, que é pra aprender a trabalhar.

Acordaram antes das cinco. Tomaram o ônibus lotado até Santo Amaro - Raimundo arrumou trabalho de faxineiro num bar. Lavava os banheiros e passava rodo com pano molhado no corredor: - Deivi, ce vê como eu faço e faz igual.

O filho foi limpando o corredor até se deparar com um pote de iogurte caído no chão. Estava rasgado e um caldo cor-de-rosa se espalhava no caminho. Raimundo chegou a tempo de impedir que o filho lambesse as sobras: - Cê ta louco? Não me faça uma desfeita dessa! Pegou o frasco e levou ao patrão. Deivi chorava de raiva e odiou aquele homem jogando o achado no lixo.

Fim do mês sobrou um dinheiro - Deivi agradou no trabalho. Rosi comprou guaraná e Raimundo trouxe pitsa. Fartaram-se todos. Sete da noite e as crianças já tinham sono de barriga cheia. Raimundo chamou a mulher num canto.

- Mulé, amanhã te levo pra ver Xuxa no cinema; deixa as criança com a comadre e ajeite a janta.

Rosinéia piscou os olhos como Betty Davis, e separou o vestido de renda...


Comentarios
O que você achou deste texto?     Nome:     Mail:    
Comente: 
Renove sua assinatura para ver os contadores de acesso - Clique Aqui