A providência divina
acompanha a todos nós,
nunca nos incrimina
e sempre ouve nossa voz,
quer estejamos dormindo,
chorando, acordado ou rindo.
Todo vivente é bem-vindo
ao reino dos céus tão lindo,
aonde o ente vai, após
passado por sabatina
e desvencilhado de pós,
que houver em sua veste fina.
Na estrada em serpentina,
cheia de barro e de pós,
quando acaba a " gasolina"
tem-se um " burro" veloz,
que é sempre bem advindo
e em frente vai-se indo.
A distância diminuindo
faz o caminho ser findo,
e ninguém fica a sós,
com sua própria ruína,
diante de seu algoz,
que lhe quer fazer faxina.
Vagando pela campina
ou embrenhado em cipós,
o ser bebe da ravina,
na nascente ou na foz,
por mais fôlego pedindo,
que aos poucos vai se esvaindo.
Pelo saber inquirindo
e o tempo lhe perseguindo,
talvez com destino atroz,
vai perecer na surdina,
ou num estrondo de arriós
na mira da carabina.
Igual sorte se destina
aos brancos ou caiapós,
pois nascem chorando a sina,
seja ave ou aveloz,
em prantos vão existindo,
mas nunca morrem sorrindo.
Com os anjos intervindo,
vão do mundo despedindo,
para uma viagem em trenós
cobertos pela neblina,
nos braços de pais e avós,
até o céu cor de anilina.