Como é bom gostar de coisas simples.
Olhar para as coisas e ver como elas são, é tudo tão simples!
Porquê que precisamos de complicar as coisas?
Eu gosto de ti e é só isso, não há mais nada.
Porquê é que os poetas complicam as coisas?
Eu sei porque é. Eles nunca tiveram um Amor como o teu…
Sabes qual a coisa simples que eu gosto mais?
Acordar de manhã e ter-te a meu lado
O que vejo eu...
Vejo-te sair do mar, dourada, húmida, atenta ao clamor silencioso que produzia a tua imagem.
Não esquecerei o teu corpo nu. A memória faz-me voltar, todas as tardes à praia onde a espuma te queria acariciar os joelhos dulcíssimos, onde o sol beijou o teu corpo nu. E recrio-te no ar, parado.
Não esqueço o teu corpo desejável, as tuas coxas reluzentes, os teus seios ... Não esqueço o calor do corpo... Não esqueço...
Entreguei-me às esferas áridas, frias, das ideias, buscando o refúgio que a tua pele agora não me oferece. Nesta ria, onde os moliceiros sobem e descem, onde os pescadores dão banho á minhoca na esperança de uma boa pescaria, fico sonhando uma praia distante.
Vejo-te agora também, deslumbrante e doce. Quero apagar por momentos a tua imagem. Mas em vão. Não esqueço o teu corpo de água ardendo. Não esqueço o momento. Nos livros, onde tento refugiar-me, não vejo mais do que as tuas linhas