A xoxota da mulher
É uma coisa tão bonita,
Alguns a chamam de xana
E outros de periquita,
Mas não importa o nome,
Pois o homem que a come
Geme sem dor e até grita.
Todo seu corpo agita
E o coração bate forte,
A mulher embaixo geme
Porque tem a mesma sorte;
Macho e fêmea têm prazer
Ambos sentem renascer
E até esquecem da morte.
A mulher quer homem forte,
Porém o homem deseja
Uma mulher delicada
Que no dia-a-dia o beija;
Mas o tempo vai passando,
Brigam eles vez em quando
E começa uma peleja.
Nenhum o outro apedreja,
Porém, ficam diferentes:
Ela está mal humorada
E ele rangendo os dentes;
Dois ou três filhos crescendo
E ambos envelhecendo
Com grilos em suas mentes.
O dois ficam meio ausentes,
Mas ele acha uma amante
Uns quinze anos mais nova,
Bem por isso interessante;
A esposa freqüenta a igreja,
Oxalá que Deus esteja
Nesse Templo Protestante!
Naquele inferno de Dante,
O casal está vivendo,
Ela vai pra onde quer
E o marido nem sabendo
Onde está sua mulher,
Pois a namorada o quer
Junto dela, se ardendo.
Dinheiro está perdendo,
Mas está gozando a vida,
A esposa virou beata,
Está salva, não perdida;
Ele pensa na menina
E nem sequer examina
Da esposa, a perseguida.
A sua mulher querida
Na igreja irmanou-se
Com o pastor de gravata...
Por graça apaixonou-se;
Ele esperto, qual raposa,
Abandonou sua esposa
E com a irmã ajuntou-se.
Embora difícil fosse,
O marido achou bom,
Pois há tempo degustava
Outro sabor de batom;
Só que ele não pensava
Que sua amante dançava
Música num outro tom.
Quando ele ouviu o som,
Já era tarde demais,
Encontrou a secretária
Pulando nos carnavais
Na Rua da Barra Funda,
Pelada, mostrando a bunda,
Gritando e querendo mais.
Nessa hora foi atrás
Da esposa tão querida,
Encontrou-a no sofá,
Letárgica, adormecida,
Com um copo ali ao lado,
Falando meio enrolado
Que era uma perdida.
O pastor veio em seguida
Trazendo a Bíblia na mão,
Exortando que os dois
Reatassem a união;
Se ambos prevaricaram,
As escrituras declaram
Que Cristo é a redeção.
"Somos filhos de Abraão,
Portanto voltem ao leito
Um ao outro dê o abraço
Esqueçam algum mal feito,
Se há algo sem aceite,
Busquem-me no gabinete
Que os recebo satisfeito".
Não há nada sem defeito
Neste mundo de ilusão:
Quando aquele cornudo
Foi dormir no seu colchão,
Antes da esposa abraçar,
Resolveu examinar
Aquela flor em botão.
Teve uma decepção,
Ao ver a sua merenda,
Outrora como uma flor,
Que vinha de encomenda,
Agora enrugada e murcha,
Parecendo uma bucha...
Era uma coisa horrenda.
Ninguém faça reprimenda
De eu contar o caso assim;
Temos que nos conformar,
Mas digo a você e a mim:
Nós temos que ter juízo,
Pois na Terra o paraíso
Um dia teve seu fim.
BENEDITO GENEROSO D COSTA
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